
18/01/2022
Em 2021, foram registrados precisamente 7.278 relâmpagos acima do paralelo 80, isto é, ao norte da ponta mais ao norte da Groenlândia. O dado é do relatório anual publicado pela Vaisala, uma empresa finlandesa de acompanhamento ambiental.
Este número representa o dobro das descargas atmosféricas que ocorreram nesta região ao longo dos últimos oito anos, segundo os autores do relatório. O aumento espetacular deve ser colocado em perspectiva, já que “apenas algumas tempestades podem produzir várias centenas de raios”, explica Sander Veraverbeke, climatologista da Universidade Livre de Amsterdã e um dos primeiros cientistas a se interessar por relâmpagos na região do Ártico.
No entanto, o simples fato de que essas descargas elétricas estejam acontecendo cada vez mais ao norte do planeta é, para um número crescente de cientistas, um sinal preocupante da aceleração do aquecimento global.
O aumento dos raios no Ártico "é de fato um indicador importante da aceleração do aquecimento global", observa Declan Finney, climatologista do Instituto de Pesquisa Ronin, em Nova Jersey. "Estamos falando do que consideramos como eventos tropicais e que estão ocorrendo cada vez com mais frequência no Ártico", explica o especialista.
Em 2002, cientistas entrevistaram moradores da região ártica ao norte do Canadá e "ninguém havia visto mais do que um punhado de relâmpagos em sua vida. Um dos homens mais velhos tinha visto apenas uma tempestade, setenta anos antes", aponta uma reportagem do National Geographic Channel.
Para que haja um raio no céu seguido por um trovão durante uma tempestade, é necessário um coquetel muito específico de elementos: alta umidade, calor na superfície, temperaturas mais frias em altas altitudes e clima instável. Estes elementos, até então, não eram comuns de se encontrar nas proximidades do Polo Norte, mas isso tem mudado.
Esta região oceânica sempre teve muita umidade, mas por muito tempo as baixas temperaturas da superfície não eram propícias para a formação de relâmpagos, afirma Sander Veraverbeke. A realidade já não é essa. “Não há dúvida de que o aumento do número de relâmpagos no Ártico é um fenômeno atribuível ao aquecimento global", acrescenta o especialista.
É também "um aviso do que está por vir em outros lugares”, afirma Declan Finney, que faz referência a um aumento no número de tempestades, cada vez mais fortes pelo mundo. As temperaturas no Ártico estão subindo muito mais rápido do que no resto do planeta e, assim, servem de alerta da convulsão ambiental que virá por conta do aquecimento global.
Estima-se que as tempestades sejam mais frequentes e violentas na costa das áreas de clima temperado – característico, por exemplo, da região sul do Brasil e de parte do estado de São Paulo.
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