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Peixe-leão em Noronha: estudo de espécie invasora e venenosa indica que animal se alimenta de peixes e está em fase de reprodução

25/01/2022

As primeiras análises dos peixes-leão, espécie invasora e venenosa encontrada em Fernando de Noronha, foram divulgadas nesta segunda-feira (24). Após 24 animais serem analisados, a primeira constatação é de que o peixe-leão tem se alimentado de outros peixes da ilha e está em fase reprodutiva em Noronha.
O estudo é realizado pelo doutor em biologia marinha Pedro Pereira, diretor do Projeto Conservação Recifal (PCR), sediado no Recife, com apoio da Universidade Federal da Alagoas (UFAL).
“Nós analisamos o conteúdo estomacal dos animais e constatamos que o peixe-leão está se alimentando das espécies que há em Noronha. Isso era esperado, mas ruim porque algumas espécies nativas podem ser reduzidas. Esse é um dos nossos medos”, disse o pesquisador.
O nome científico do peixe-leão é Pterois volitans. Essa espécie tem espinhos venenosos que contêm uma toxina que pode causar febre, vermelhidão e até convulsões aos seres humanos. O animal é predador e pode consumir espécies endêmicas, que só ocorrem nessa região, além de causar um desequilíbrio ecológico.
O primeiro peixe-leão foi capturado em Noronha em dezembro de 2020. Em 2021, as capturas dos animais na ilha se multiplicaram (veja vídeo acima). Elas são feitas por profissionais das operadoras de mergulho sob coordenação do Instituto Chico Mendes da Biodiversidade (ICMBio), que fez parceria com pesquisadores para análise dos animais.
“Até agora, foram registrados 50 avistamentos e 32 capturas. Desse total, 11 capturas foram feitas na Área de Proteção Ambiental e 20 na região do Parque Nacional Marinho”, afirmou a chefe do ICMBio em Noronha, Carla Guaitanele.
O estudo dos animais começou em novembro do ano passado. Um dos peixes encontrados no estômago dos peixes-leão foi do gênero apogon, peixes que são considerados importantes na cadeia ecológica de Noronha.
Os pesquisadores analisaram as gôndolas, que são a parte reprodutiva do peixe invasor. “Nós observamos que, na ilha, já tem macho e fêmea e fêmea na idade reprodutora, o que é uma das piores constatações. Significa que eles já podem se reproduzir em Noronha”, disse Pedro Pereira.
O pesquisador também afirmou que, inicialmente, acreditava-se que esses animais capturados na ilha teriam vindo de outros locais ou cadeias montanhosas nas proximidades de Fernando de Noronha.
“Nós já sabemos que a população de peixe-leão de Noronha está em período reprodutivo. Isso não é bom, a população pode se multiplicar”, declarou o diretor do Projeto Conservação Recifal.
Os estudiosos deram início à análise do otólito, um osso existente na cabeça do peixe que identifica a idade do animal, mas ainda não há resultado desse trabalho. Foram encontrados parasitas chamados isópodes nas brânquias dos peixes-leão.
Amostras dos peixes-leão foram envidadas para análise na Universidade Federal Fluminense (UFF) e na Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, mas os resultados ainda não foram divulgados.

Fonte: g1

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