
13/07/2026
A Amazônia registrou no primeiro semestre de 2026 a menor área com sinais de desmatamento detectados por satélite em uma década, segundo dados do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Entre janeiro e junho, o sistema identificou 1.295 km² de áreas sob alerta de perda de vegetação nativa no bioma —o menor patamar para o período desde o início da série histórica do Deter, em 2016.
Os números foram divulgados pelo Inpe nesta sexta-feira (10).
Os avisos do Deter funcionam como alertas rápidos: eles apontam locais onde imagens de satélite identificaram mudanças compatíveis com a retirada da vegetação. Esses dados ajudam a orientar ações de fiscalização, mas não representam a taxa oficial de desmatamento, calculada anualmente por outro sistema do Inpe, o Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (Prodes).
"É um resultado consistente, fruto de ações governamentais de proteção da floresta e combate ao crime ambiental. Os números são ótimos e merecem ser celebrados", afirma Marcio Astrini, secretário executivo do Observatório do Clima.
A queda representa uma redução no ritmo de abertura de novas áreas com sinais de desmatamento, e não uma recuperação automática da floresta já perdida. Áreas derrubadas em anos anteriores continuam contabilizadas como desmatadas, enquanto o Deter mede novos alertas identificados pelos satélites dentro de cada período analisado.
O patamar anterior mais baixo havia sido registrado em 2017, quando 1.332 km² ficaram sob alerta nos seis primeiros meses do ano. Desde então, o total do primeiro semestre havia oscilado entre 1.645 km², em 2024, e quase 4 mil km², em 2022.
O Cerrado também registrou redução nos sinais de perda de vegetação. Entre janeiro e junho deste ano, o Deter identificou 3.142 km² de áreas com indícios de retirada da vegetação nativa no bioma —o menor valor para um primeiro semestre desde 2021.
A queda, porém, foi menor que a observada na Amazônia. Enquanto os alertas no bioma amazônico recuaram 38% em relação ao mesmo período do ano passado, no Cerrado a redução foi de cerca de 6%.
Mesmo com a melhora, o Cerrado continua concentrando a maior área sob alerta. Nos seis primeiros meses de 2026, o volume detectado no bioma foi cerca de 2,4 vezes maior que o registrado na Amazônia.
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