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Mais avistamentos de tubarões podem estar relacionados a mais pessoas nas praias

08/02/2022

As notícias recentes envolvendo incidentes ou avistamentos de tubarões podem parecer estar mais frequentes. Especialistas, porém, não atribuem isso a um aumento de animais nas águas do litoral brasileiro —e, sim, ao maior número de banhistas nas praias após o relaxamento de restrições impostas na pandemia.
Com as flexibilizações, esses locais voltaram a ficar mais cheios. Para os especialistas, quanto mais gente no mar, maior a probabilidade de incidentes envolvendo tubarões. Da mesma forma, aumentam os afogamentos, cortes em pedras, acidentes com água-viva e outros problemas.
Os tubarões estão por toda a costa brasileira, dizem os cientistas. Por suas características, eles exploram o ambiente em que vivem e são importantes para o equilíbrio da vida marinha.
Ao contrário do que muita gente pode pensar, é normal que tubarões nadem perto da faixa de areia e, consequentemente, de banhistas. Isso é possível, principalmente, se houver cardumes de outros peixes na área e se os animais estiverem no horário de caça.
"Não estamos acostumados com a ideia de que tubarões enormes e potencialmente perigosos ficam próximos a seres humanos", constata Ronaldo Francini Filho, professor do Centro de Biologia Marinha da USP. Por isso, ele diz, os banhistas precisam estar atentos.
Espécies como o tigre, o cabeça-chata e o branco são alguns dos mais agressivos do mundo. Os dois primeiros protagonizam mais incidentes.
Na costa sudeste do país, há espécies de menor porte e que não oferecem risco ao ser humano, além do tigre e do cabeça-chata. Já o tubarão branco é comum em águas frias e, por isso, há poucos registros de sua passagem em praias brasileiras.
No dia 28 de janeiro, um tubarão-tigre com cerca de 2,5 metros de comprimento e aproximadamente 200 quilos, conforme estimaram especialistas, foi visto em Saquarema, na região dos Lagos, no Rio de Janeiro, nadando perto da faixa de areia e dos visitantes.
Relatos dão conta de que o animal teria sido avistado nas praias do Boqueirão, da Vila, Barrinha e Itaúna. Não houve incidentes.
O Instituto Argonauta para a Conservação Costeira e Marinha, uma Oscip (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) que tem o objetivo de conservar o meio ambiente, especialmente os ecossistemas costeiros e marinhos, confirmou à reportagem a aparição de um tubarão em Ubatuba (a 226 km de SP), nos dias 17 e 19 de janeiro, nas praias Vermelha do Sul e Ubatumirim.
No dia 21 do mesmo mês, um tubarão-golfinho (Lamna nasus) apareceu morto na praia do Ubatumirim.
Tratava-se de uma fêmea de 2,06 metros e 60 quilos. A espécie apresenta distribuição principalmente oceânica e raramente é avistada em zonas costeiras do litoral sudeste do Brasil. São predadores de topo de cadeia alimentar, muito importantes para o equilíbrio do ecossistema marinho, segundo o instituto.
O oceanógrafo Hugo Gallo Neto, presidente do Instituto Argonauta, não descarta a possibilidade de que o animal morto seja o mesmo das outras aparições na região.
Em novembro de 2021, Ubatuba registrou dois ataques de tubarão em menos de 15 dias —no dia 3 na praia do Lamberto e 11 dias depois na praia Grande.
A praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes (PE), também foi palco de dois incidentes em 2021 —um deles com morte.
O mais recente ataque que chamou a atenção no Brasil ocorreu no dia 28 de janeiro, na praia do Sueste, em Fernando de Noronha (PE). Uma menina de oito anos teve a perna amputada. O local foi fechado por tempo indeterminado.
"A praia do Sueste é uma baía rasa com a água um pouco mais escura, então o turista chega perto do tubarão sem perceber, faz um movimento brusco e acaba sofrendo a agressão porque encostou no bicho", explica Francini Filho.

A matéria na íntegra pode ser lida na Folha de S. Paulo

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