
10/02/2022
Rondônia é o segundo estado da Amazônia Legal que mais sofreu com o desmatamento em unidades de conservação e Território Indígena (TI) nos últimos anos. As informações são do levantamento feito pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), publicado na última semana.
Segundo o Ipam, as áreas mais afetadas ficam próximas de Porto Velho, São Francisco do Guaporé e Costa Marques. Entre elas, estão em destaque a T.I Karipuna e a Reserva Extrativista Jaci-Paraná.
Ao todo, Rondônia concentra 12% do desmatamento ocorrido nas áreas protegidas da Amazônia entre 2020 e 2021.
O levantamento do Ipam compara os índices de desmatamento na Amazônia nos triênios antes e durante a gestão do presidente Jair Bolsonaro, eleito em 2018. Foram utilizados dados do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
O documento aponta que no período de agosto de 2018 a julho de 2021, o desmatamento em toda a floresta amazônica aumentou 56,6% em relação aos três anos anteriores. No ranking de desmatamento total, Rondônia ocupa a 4ª posição com mais de 4 mil km² de floresta derrubados.
Segundo o Ipam, as áreas mais desmatadas na Amazônia Legal estão concentradas em uma região conhecida como “Amacro”, localizada nas divisas entre Rondônia, Acre e Amazonas. Os focos aconteceram principalmente em florestas públicas não destinadas e áreas protegidas.
De acordo com o histórico de desmatamento, Rondônia teve uma média anual de 191 km² de floresta derrubada nos últimos três anos e está entre os estados em que a média foi maior entre o triênio 2019 a 2021 do que entre 2016 a 2018. O aumento total comparado no estado é de 15%.
De acordo com o Instituto Socioambiental (ISA), a TI Karipuna possui mais de 150 mil hectares e é completamente coberta por floresta amazônica. A terra é localizada entre Nova Mamoré (RO) e Porto Velho. Atualmente, 55 pessoas vivem na TI Karipuna, todas da etnia Karipunas de Rondônia.
Já a Resex Jaci-Paraná, foi criada há cerca de 25 anos e possui quase 200 mil hectares de extensão. A área da reserva se estende por Buritis (RO), Nova Mamoré e Porto Velho.
Em 2021, uma lei de autoria do governador de Rondônia, Marcos Rocha (PSL), reduziu os limites da Resex Jaci-Paraná e do Parque Estadual Guajará-Mirim em aproximadamente 220 mil hectares. Em novembro do mesmo ano, a Justiça de Rondônia declarou a lei inconstitucional.
Segundo dados da ONG WWF Brasil, após a aprovação da lei o desmatamento na Resex cresceu 2700%. Ainda de acordo com os dados, mais da metade da reserva já foi desmatada.
Fonte: g1
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