
15/02/2022
O Instituto Chico Mendes da Biodiversidade (ICMBio) deu início, esta semana, a um mutirão submarino em Fernando de Noronha para localizar peixes-leão, espécie invasora e venenosa. Na sexta (11), o órgão fez um balanço da primeira operação, que contou com a participação de 15 mergulhadores, e anunciou a captura de quatro animais.
Mais de 30 animais da espécie já foram encontrados na ilha. Em janeiro deste ano, análises apontaram que o peixe-leão tem se alimentado de outros peixes e está em fase reprodutiva.
Segundo o balanço, foram realizados dois mergulhos, na quarta (9). Na Baía dos Golfinhos, não foram localizados peixes-leão. Na área de atracação do Porto de Santo Antônio, os mergulhadores conseguiram pegar os quatro animais.
“Nós iniciamos as saídas planejadas com profissionais de todas as operadoras de mergulho de Noronha para fazer buscas ao peixe-leão. Nessas expedições, nós iremos a locais onde não existem operações comerciais. Nos pontos de trabalho normais, os instrutores já fazem um varredura diária”, explicou o coordenador de Pesquisa do ICMBio, Ricardo Araújo.
Segundo ele, no início do trabalho, foi possível capturar animais da espécie invasora e também reunir profissionais de todas as operadoras. "Usamos o arpão e a armadilha para recolher os animais”, falou Araújo.
O coordenador de Pesquisa do ICMBio disse que, além dos materiais para captura do peixe venenoso, no barco também foi transportada água quente em garrafas térmicas.
“A água quente deve ser utilizada caso o mergulhador seja atingido pelo bicho. Essa água é usada para desnaturar o veneno do peixe”, explicou Ricardo Araújo. Ele contou, ainda, que não foi preciso usar a água quente na primeira operação.
O nome científico do peixe-leão é Pterois volitans. Essa espécie tem espinhos venenosos que contêm uma toxina que pode causar febre, vermelhidão e até convulsões nos seres humanos.
O animal é predador e pode consumir espécies endêmicas, que só ocorrem nessa região, além de causar um desequilíbrio ecológico.
O primeiro peixe venenoso foi capturado em Fernando de Noronha em dezembro de 2020. Até a sexta-feira (11), o ICMBio contabilizou 64 avistamentos de peixes-leão e 38 capturas.
Os animais capturados em Fernando de Noronha são encaminhados para o Projeto Conservação Recifal (PCR), sediado no Recife, que realiza análise dos peixes com apoio da Universidade Federal de Alagoas (UFAL).
Amostras dos peixes-leão também são envidadas para análise na Universidade Federal Fluminense (UFF) e na Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos.
Fonte: g1
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