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Garimpo e desmatamento sujaram água em Alter do Chão, conclui laudo

17/02/2022

Um laudo pericial produzido pela Polícia Federal com base em imagens de satélite confirma que a mudança de cor da água de Alter do Chão, ponto turístico do Pará conhecido como Caribe da Amazônia, foi causada pela intensificação do garimpo ilegal no rio Tapajós e seus afluentes.
A PF realiza desde o início da semana uma operação contra o garimpo ilegal dentro da Área de Proteção Ambiental do Tapajós entre o rio Crepori e a terra indigena Mundukuru.
O perito responsável pelo caso analisou imagens coletadas de julho de 2021 a janeiro de 2022. Elas mostram a evolução dos sedimentos desde os rios em Mato Grosso e o "aumento drástico" na quantidade de sujeira ao passar pela região dos rios Crepori e Jamanxin, onde estão os alvos da PF.
A análise da perícia da PF mapeou como a "pluma de sedimentos" que turvou as águas teve origem ainda no estado de Mato Grosso no final de outubro e início de novembro de 2021. No entendimento dos técnicos da PF, ela tem como causa o desmatamento nas margens dos rios Juruena e São Manuel, que deságuam no Tapajós, para plantação de monocultura.
"O desmatamento que ocorre nas margens dos rios citados favorece a lixiviação de material arenoso, argiloso e siltoso. Esses elementos são carreados até os corpos hídricos onde os sedimentos mais finos costumam ficar em suspensão por mais tempo percorrendo longas distâncias", diz a PF.
Em 25 de novembro, a pluma de sedimento já estava em Itaituba e, entre 30 de novembro e 2 de dezembro, chegou às águas cristalinas de Alter do Chão.
"A pluma seguiu descendo o rio e se intensificou drasticamente com o aporte de mais sedimentos advindos, principalmente, dos rios Crepori e Jamanxim, no médio Tapajós", diz o laudo.
A PF comparou imagens de afluentes do Tapajós onde não há atuação de garimpeiros e concluiu que eles "permanecem com suas águas mais escuras esverdeadas, indicando que não possuem sedimentos em suspensão".
O laudo, embora não tenha analisado a água do rio, alerta também para uso de produtos químicos como mercúrio e o cianeto em garimpos como os da calha do Tapajós.
A Folha acompanha a ação da PF contra os garimpos em Alter do Chão desde segunda (14).
Na terça (15), a bordo de um dos quatro helicópteros que dão apoio à operação, a equipe de reportagem avistou uma das primeiras clareiras abertas pelos garimpeiros.
Ao sobrevoar os buracos abertos na floresta o que se vê é uma mistura do pouco verde que sobra após a ação humana com a terra esbranquiçada devido à concentração de argila citada pelo perito no laudo.
A argila se amontoa ao lado de crateras cheias de água que foram abertas com jatos de água e escavadeiras.
São esses sedimentos de cor clara que, levados pela correnteza até a região de Alter do Chão, inviabilizam a exploração turística das águas cristalinas da cidade.
"Tais sedimentos tendem a causar assoreamento e o aumento da turbidez da água, afetando fortemente a fauna e ictiofauna. Há também impactos relacionados ao uso de produtos químicos tóxicos, como o mercúrio, óleos lubrificantes e combustíveis, que poluem os rios e as APPs, causando danos diversos à saúde humana e animal", diz o documento.

Saiba mais na Folha de S. Paulo

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