
22/02/2022
Na Cúpula One Ocean, evento que aconteceu entre 9 e 11 de fevereiro em Brest, na França, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, alertou que “o oceano carrega grande parte do fardo” da tripla crise que o planeta enfrenta. A crise ambiental – que envolve perturbação climática, perda de biodiversidade e poluição – faz com que o oceano, um dos principais sumidouros de carbono e calor, fique mais quente e mais ácido, prejudicando ecossistemas aquáticos.
Temas como pesca, áreas marinhas protegidas, um possível tratado internacional em alto-mar e um plano da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) para avançar no conhecimento sobre os oceanos marcaram o evento.
A cúpula antecede outro grande marco sobre a temática, a Conferência dos Oceanos das Nações Unidas, que acontecerá entre junho e julho deste ano em Lisboa, Portugal.
Em sua fala no evento, António Guterres destacou o risco da crise para as comunidades que dependem do oceano. “Mais de três bilhões de pessoas dependem da biodiversidade marinha e costeira para sua subsistência”.
Ele reforçou o quadro sombrio e a conjuntura alarmante, com espécies marinhas em declínio, recifes de coral doentes, ecossistemas costeiros transformados em “grandes zonas mortas” por servirem de depósito de esgoto, e nutrientes e mares sufocados por resíduos plásticos.
Além disso, os estoques de peixes estão sendo ameaçados por práticas de pesca excessivas e destrutivas, juntamente com a pesca ilegal, não declarada e não regulamentada. “Devemos mudar de rumo”, insistiu o secretário-geral.
Há 40 anos foi assinada da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, descrita por Guterres como “primordial”. Ele defendeu que a segunda Conferência dos Oceanos da ONU, que acontecerá eeste ano, é “uma oportunidade para cimentar o papel do oceano” nos esforços globais para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e implementar o Acordo de Paris.
O chefe da ONU enfatizou que esforços intensificados devem ser feitos para proteger o oceano, dizendo que uma “economia azul sustentável pode impulsionar o progresso econômico e a criação de empregos”, ao mesmo tempo que também protege o clima.
“Precisamos de mais e mais parcerias eficazes para abordar as fontes terrestres de poluição marinha, urgência na implantação de energia renovável nos mares, que pode fornecer energia limpa e emprego, e menos combustíveis fósseis na economia oceânica”, insistiu.
Guterres saudou “medidas encorajadoras” tomadas por alguns países, incluindo a França, para acabar com os plásticos descartáveis e instou outros a seguirem o exemplo.
Com cerca de 90% do comércio mundial transportado por mar, o transporte marítimo responde por quase 3% das emissões globais de gases de efeito estufa. “O setor de transporte marítimo precisa contribuir com o necessário para o corte de 45% nas emissões até 2030 e zero emissões até 2050, no esforço de manter vivas nossas esperanças de limitar o aumento da temperatura global a 1,5ºC”, defendeu o chefe da ONU.
Também é necessário avançar na adaptação e resiliência para as comunidades costeiras cujas vidas, casas e meios de subsistência estão em risco. “Devemos capitalizar nas oportunidades que soluções baseadas na natureza, como manguezais e ervas marinhas, oferecem”, acrescentou.
Para promover uma economia oceânica sustentável, o secretário-geral destacou a necessidade de parcerias e investimentos globais, juntamente com maior apoio à ciência oceânica “para que nossas ações sejam baseadas no conhecimento e compreensão do oceano”.
“Muito permanece não mapeado, não observado e inexplorado”, complementou.
Ao longo desta Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, também conhecida como Década do Oceano, Guterres incentivou os cidadãos preocupados em todos os lugares a “cumprir nossa promessa coletiva de um planeta azul saudável para as gerações futuras”.
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