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Garimpo e desmatamento causaram mudança de cor da água de rio em Alter do Chão, diz PF

22/02/2022

A Polícia Federal concluiu que a mudança de cor nas águas do rio Tapajós em Alter do Chão, famoso destino turístico no Pará, foi provocada pelo garimpo ilegal e pelo desmatamento na região.
O laudo da PF faz parte do inquérito que apura a mudança de coloração da água do Rio Tapajós, entre os municípios de Santarém e Itaituba, nas praias conhecidas como “Caribe amazônico”.
Os investigadores compraram imagens de satélite registradas entre julho de 2021 e janeiro de 2022. O material, segundo os peritos, mostra um “aumento drástico” na quantidade de sedimento nas águas.
Os peritos afirmam que essa sedimentação aconteceu principalmente por causa do desmatamento nas margens dos rios Jurema e São Manuel, afluentes do Tapajós.
Além disso, a estimativa da PF é que os garimpeiros tenham despejado cerca de 7 milhões de toneladas de rejeitos no Tapajós.
A Polícia Federal ainda não analisou a qualidade da água, mas os investigadores alertam para o risco da presença de produtos químicos no rio, como mercúrio e cianeto, que geralmente são usados por garimpeiros no processo de extração de minérios.
A Polícia Federal usou imagens de satélite na investigação. Em agosto de 2021, elas mostram a região do Alter do Chão sem a presença significativas de sedimentos.
As mudanças no leito do rio começam a aparecer em outubro, quando manchas de sedimentos são vistas perto de Santarém. Com o passar dos meses, os sedimentos se intensificaram até tomarem conta das águas em Santarém no fim de dezembro.
Na parte mais alta do Rio Tapajós, as mudanças de coloração começaram mais cedo, já em agosto do ano passado, segundo os peritos da PF.
Já no fim de novembro, as imagens mostram uma coloração avermelhada nas águas, o que segundo os peritos, é um sinal de águas saturadas com o material de garimpo.
Segundo a análise dos técnicos da PF, os sedimentos começaram a ser formados no estado do Matogrosso e desceram pelos rios Jurena e São Manuel até desaguarem no Tapajós.
Os resíduos se intensificaram na parte média do Tapajós, na altura dos rios Crepori e Jamanxim.
“No final de novembro e início de dezembro (entre os dias 30/11/2021 e 02/12/2021) a pluma de sedimentos atingiu as águas que banham a vila de Alter do Chão e, na sequência, atingiu a cidade de Santarém”, concluiu a PF.
Ainda de acordo com a polícia, os garimpeiros “desviam o curso natural do rio” para “viabilizar a extração do ouro” e esse processo gera “uma grande quantidade de particulados finos que seguem a jusante da drenagem”.
Na segunda-feira (14), a PF deflagrou a operação “Caribe Amazônico”, de combate à atividades garimpeiras na região.
Segundo a PF, a operação ocorrerá durante toda esta semana nas proximidades da terra indígena Munduruku, em Jacareacanga, sudoeste do Pará.
A operação é decorrente de informações sobre a contaminação do rio Tapajós, que levaram à necessidade de ações imediatas nas regiões de Itaituba, Jacareacanga, Moraes de Almeida, Creporizinho e Creporizão.
A coloração turva do rio em Alter do Chão, conhecido como Caribe Amazônico, em nada lembra o tom azul-esverdeado que encanta moradores e turistas, e ganhou destaque no noticiário nacional devido a preocupação da comunidade local de que o fenômeno seja resultado do avanço da garimpagem na bacia do Tapajós.
Os garimpos ilegais ficam a cerca de 300 quilômetros de Santarém. Antes, por causa da distância, a maior parte dos resíduos acabava armazenada no caminho. Mas com o aumento de áreas degradadas, a poluição chegou a Alter do Chão.
Segundo o Instituto Socioambiental, em apenas um ano, a área devastada pelo garimpo ilegal na terra indígena Munduruku cresceu mais de 300%.

Fonte: g1

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