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Empresa canadense quer dobrar projeto de potássio em área perto de terra indígena

17/03/2022

Uma empresa canadense propôs dobrar a produção planejada de potássio de um depósito na Amazônia brasileira para reduzir a dependência do país das importações de fertilizantes afetadas agora pela guerra na Ucrânia.
A Brazil Potash disse na terça-feira (15) que seus executivos se reuniram com a ministra da Agricultura brasileira, Tereza Cristina, em Ottawa, e discutiram elevar a capacidade planejada de 2,44 milhões de toneladas para mais de 5 milhões de toneladas por ano, no projeto em Autazes (AM).
Isso poderia cobrir quase metade da necessidade brasileira de potássio, um fertilizante essencial. No entanto, a empresa disse que levaria pelo menos três anos para entrar em operação assim que o licenciamento fosse obtido.
O proprietário do Brazil Potash, o banco de investimentos Forbes & Manhattan, cujo presidente do conselho Stan Bharti se reuniu com a ministra brasileira no domingo, vem tentando desenvolver o depósito de Autazes há mais de cinco anos, mas o projeto foi interrompido por preocupações ambientais.
Os promotores recomendaram em 2016 a suspensão da licença para desenvolver Autazes porque a tribo indígena Mura não havia sido consultada, em violação à Constituição do Brasil.
O Brasil depende de importações para 95% de seu potássio e é um grande comprador dos principais fornecedores Canadá, Rússia e Belarus. No ano passado, o Brasil importou cerca de 10 milhões de toneladas.
Cerca de 30% do fornecimento global de potássio foi retirado do mercado devido à incapacidade dos produtores russos e de Belarus de exportar.
"Nossa opinião é que as sanções impostas à Rússia e à Belarus não terão vida curta", disse a Brazil Potash em comunicado enviado à Reuters.
À medida que os preços do potássio triplicaram no ano passado e os riscos geopolíticos que ameaçam a oferta do Leste Europeu se aprofundaram, o interesse no Brasil pelo projeto Autazes cresceu.
O presidente Jair Bolsonaro disse que o Brasil precisa explorar o depósito em breve e pressionou por uma lei que permita a mineração em reservas indígenas.
A empresa diz que a mina teria um impacto ambiental menor. O sal separado do potássio em uma planta de processamento de superfície seria devolvido ao subsolo, de acordo com os planos.
Os Mura temem que isso polua os rios e afugente a caça e os peixes dos quais dependem.

Fonte: Folha de S. Paulo

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