
22/03/2022
O açaí ganhou o mundo nas últimas décadas. A produção dessa fruta típica da região amazônica disparou, rendendo milhões de dólares para os produtores e gerando emprego e renda para muitas famílias ribeirinhas.
Mas toda essa demanda está cobrando um preço da Amazônia, segundo um novo estudo conduzido por cientistas brasileiros.
A pesquisa apontou que o cultivo do açaí está levando a uma perda significativa da biodiversidade.
Árvores-símbolo da Amazônia, como a samaúma e o jatobá, estão desaparecendo da paisagem e dando lugar a campos de monocultura da fruta.
O processo é tão intenso que já ganhou até nome de cientistas da área: é a "açaização" da Amazônia.
"Ao longo dos últimos 20 anos, áreas da floresta onde o açaí era cultivado lado a lado com outras espécies foram totalmente tomadas pelas palmeiras da fruta", afirma o biólogo paraense Madson Freitas, principal autor do estudo, à BBC News Brasil.
Autoridades dizem que criaram regras para proteger a biodiversidade amazônica, e os produtores afirmam seguir as normas e negam que causem prejuízo à floresta.
Mas os cientistas dizem que o cultivo de açaí está provocando mudanças profundas na Amazônia que podem desestabilizar todo o ecossistema.
O açaí sempre fez parte da dieta da população no norte do país, onde é consumida tradicionalmente com farinha e peixe.
A pequena fruta escura é rica em antioxidantes e fibras e tem alto valor energético, e, hoje, pode ser encontrada em forma de polpa congelada em várias cidades do Brasil e também em países como Estados Unidos e Emirados Árabes.
O Brasil concentra cerca de 85% da produção mundial de açaí, com uma média de 1,5 milhão de toneladas entre 2015 e 2020.
Em 2020, a produção nacional foi de 1,7 milhões de toneladas, quase 5% a mais do que no ano anterior, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
Em relação a 2015, o aumento foi de 38%. Só o Estado do Pará é responsável por 95% desse total. São cerca de 212 mil hectares dedicados ao cultivo da fruta em terra firme ou áreas de várzea, segundo o Conab.
De acordo com a Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa), entre 2011 e 2020, as exportações de açaí no Brasil aumentaram quase 15.000%.
De cerca de 40 toneladas em 2011, o país chegou a 5.363 toneladas em 2020, um recorde.
Ainda assim, a maior parte da fruta produzida fica no território nacional: menos de 1% do que foi colhido em 2020 foi exportado.
O Pará respondeu por 94% dos embarques, gerando cerca de US$ 13,2 milhões (R$ 68,7 milhões).
Ao todo, o Estado passou de uma produção de 756,4 mil toneladas em 2010 para 1,3 milhão em 2019.
A matéria completa pode ser lida no UOL
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