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Doria anuncia melhoria no Pinheiros e lança obras de cartão-postal no rio

29/03/2022

O governador João Doria, prestes a deixar o cargo para a disputa presidencial, anunciou na quinta-feira (24) a evolução na despoluição do rio Pinheiros e o início das obras da Usina São Paulo (antiga Usina da Traição), que fica no curso do corpo d´água, tido pela administração estadual como um novo cartão-postal para a capital.
"Esse era um rio fétido, um rio que era uma péssima referência para São Paulo e para o Brasil. Hoje se torna uma referência de lazer, entretenimento, de respeito ambiental, de recuperação de um rio de recuperação da sua água e da despoluição do rio", disse Doria.
A despoluição caminha com a ligação de esgotos à rede de tratamento. O governo afirma que foram investidos R$ 4 bilhões e feitas mais de 555 mil ligações de água e esgoto. "É como se nós pegássemos a cidade de Porto Alegre e fizéssemos todo o saneamento da cidade", disse o governador.
Segundo o governo estadual, dos 13 pontos de monitoramento do rio Pinheiros, 11 têm DBO (demanda bioquímica de oxigênio) —indicador de qualidade da água — abaixo de 30 mg/L.
Esse valor, porém, está longe de algo próximo a um rio limpo de fato. Na verdade, valores nesse nível, como aponta o próprio governo, só garantem uma água sem odor, melhoras na turbidez e capacidade de alguma vida aquática.
Mas, de fato, algumas melhorias têm sido observadas com as décadas de trabalho de despoluição do sistema de rios Tietê-Pinheiros. Isso pode ser visto mais de perto no lago do parque Ibirapuera, que é alimentado pelo córrego do Sapateiro, parte desse sistema. A qualidade da água do lago melhorou (passando de regular para boa) graças aos trabalhos de limpeza dos rios.
Gustavo Veronesi, coordenador do projeto Observando os Rios, da ONG SOS Mata Atlântica, disse recentemente à Folha que a qualidade da água do Pinheiros é "péssima e ainda vai demorar para ficar ruim".
Águas com DBO acima de 10 mg/L (como as do rio Pinheiros) não podem ser destinadas para, basicamente, nenhum uso humano.
Doria espera que isso mude e já projeta uso do rio para apresentações de barco, competições de vela e para transporte fluvial.
Banhar-se no rio, porém, não é uma realidade nem mesmo para o longo prazo. "Tomar banho no rio Pinheiros é tão improvável como tomar banho no rio Tâmisa [em Londres] ou no rio Sena, em Paris", disse Doria.

Saiba mais na Folha de S. Paulo

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