
29/03/2022
Quatro municípios do Grande Rio estão entre as 20 piores cidades do país no ranking do saneamento básico de 100 cidades divulgado na última terça-feira (22) pelo Instituto Trata Brasil.
O g1 conversou com especialistas para entender os motivos que levaram São Gonçalo, Duque de Caxias, São João de Meriti e Belford Roxo a se destacarem negativamente no estudo.
1 - Baixo investimento
O baixo investimento no saneamento básico é apontado como fundamental para o posicionamento dos quatro municípios no ranking.
"Nas cidades que ocuparam as melhores colocações, o investimento médio anual em saneamento básico é de R$ 135 por habitante. Nas piores, a média é de R$ 48. Todas essas quatro cidades do Rio se encontram nessa média de investimento. Para algumas cidades, infelizmente o investimento em saneamento não é uma prioridade", explicou a presidente-executiva do Instituto Trata Brasil, Luana Siewert Pretto.
Paulo Canedo, professor de Hidrologia do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe/UFRJ) cita que são "cidades pobres, em várias ocasiões sem o mínimo de infraestrutura básica".
"Muitas vezes, os próprios moradores acreditam que o esgoto é uma questão menor - preferem investimentos como pavimentação de ruas ou construção de praças", argumenta.
2 - Demora na construção da rede de coleta de esgoto com verbas do Fecam e fracasso do PDBG
Segundo o presidente da Frente Ambientalista da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e titular da Comissão de Meio Ambiente da Casa, Carlos Minc, houve uma demora muito grande para a construção da rede de coleta de esgotos.
Durante 25 anos, o estado do Rio criou oito estações de tratamento de esgoto no entorno da Baía de Guanabara – a maioria funciona de forma precária. Essas obras foram feitas com verbas do Programa de Despoluição da Baía de Guanabara (PDBG). O problema é que não adianta construir estações de tratamento sem que haja uma ligação de tubulações até elas – as tubulações que foram construídas com verbas do Fundo Estadual de Conservação Ambiental e Desenvolvimento Urbano (Fecam) ainda estão longe de serem o suficiente para beneficiar as cidades da Região Metropolitana. Muitas dessas estações opera com baixa vazão", diz Minc.
As Estações de Tratamento de Esgoto (ETE) mencionadas pelo deputado são: Alegria, Sarapuí, Pavuna, Icaraí, Paquetá, São Gonçalo, Penha e Ilha do Governador.
Saiba quais são os outros 04 fatores acessando o g1
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