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Garimpo ilegal cresce há 3 anos dentro de área protegida na Amazônia

31/03/2022

Um relatório obtido com exclusividade pelo InfoAmazonia e PlenaMata revela desmatamento por garimpo de ouro crescendo desde 2019 na Estação Ecológica Juami-Japurá, a 700 quilômetros de Manaus e junto à fronteira com a Colômbia. Imagens de satélite comprovam que os crimes na área de proteção integral aumentaram nos primeiros meses deste ano.
A Juami-Japurá é unidade de conservação federal desde 1983 e abriga florestas, pesquisas científicas e o sinuoso rio Juami, afluente do rio Japurá, que vem da Colômbia e deságua no Solimões, no Brasil.
"Os alertas oficiais sobre desmatamento e degradação florestal, o relato da presença de dragas, as mudanças no leito e na sedimentação do rio Juami, mesmo durante a estação seca, quando isso não deveria ocorrer, como evidenciam as imagens de satélite, apontam que há garimpo ilegal na área protegida", afirmou o pesquisador Antonio Oviedo, do ISA (Instituto Socioambiental) ao ter acesso às imagens de satélite.
Alertas do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) para desmate por mineração apontam 531 hectares de florestas perdidos desde 2019. Este ano já foram derrubados 23 hectares onde, por lei, não deveria haver qualquer desmate.
Imagens de satélite do sistema Planet analisadas pela reportagem mostram que o garimpo se alastrou ao longo de quase todo o rio Juami e segue aumentando este ano.
O trecho com garimpo perfaz 198 km do rio. A extensão não se refere às áreas de cicatrizes deixadas pelo garimpo, mas sim uma medida linear desde a foz do rio (encontro do Juami com o Japurá) até o ponto mais ao sul onde se pôde comprovar atividade garimpeira.
O relatório de sobrevoo do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) e militares, realizado em 17 de agosto de 2021, listou 31 dragas e cinco barcos ligados aos crimes na área protegida.
O material, do Núcleo de Gestão Integrada de Tefé, descreve que o "rio Juami se encontra comprometido ao longo de todo o seu trajeto, até bem próximo à sua cabeceira direita, apenas o afluente esquerdo que o forma se encontra, aparentemente, e até agora, livre do impacto garimpeiro".
O documento descreve "trechos consecutivos de margens destruídas e sucessivos e crescentes bancos de areia, decorrentes da dragagem" que dominam a paisagem e se intensificam rio acima, "comprometendo a quase totalidade do seu curso".
Nas imagens do relatório e nas de satélite, é possível ver tanto os bancos de areia quanto os chamados "arrotos de dragas", mistura de areia e pedra sugada pelas dragas do fundo do rio com aparência esbranquiçada.
Há registros de grupos paramilitares atuando no local. Um servidor federal, em condição de anonimato, afirma que o problema envolve um conluio do crime organizado brasileiro e de países vizinhos.
O relatório do ICMBio descreve que "há membros infiltrados de grupos paramilitares da Colômbia, patrocinando a atividade do garimpo e achacando comunidades e extrativistas brasileiros".
O documento reconhece que a estação ecológica já havia sido alvo de atividade garimpeira na década de 1990 e diz que não havia mais registro da atividade desde 2003. Mas a falta de servidores, de fiscalização e de infraestrutura, aliada à alta do preço do ouro, fizeram o garimpo retornar em 2019, quando quatro dragas foram identificadas.
Desde então, garimpeiros caçam, pescam, desmatam e contaminam terras e águas com mercúrio e outros químicos danosos para pessoas e vida selvagem.

Para terminar de ler esta matéria acesse a Folha de S. Paulo

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