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IPCC alerta que é possível reduzir emissões em todos os setores e expõe desigualdade: 10% das casas liberam até 45% do carbono

05/04/2022

O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) publicou nesta segunda-feira (4) uma nova edição de seu relatório. De acordo com os mais de 270 autores, de 65 países, é possível reduzir as emissões de gases em todos os setores da economia. O documento também apresenta um dado da desigualdade ligada ao problema: 10% das casas correspondem a até 45% do carbono liberado no planeta.
"Globalmente, 10% dos domicílios mais emissores do planeta contribuem de 34% a 45% das emissões dos gases do efeito estufa domésticos", aponta o IPCC.
"Já metade dos que menos emitem no planeta gastam menos de US$ 3 per capita por dia. Já os 10% que mais emitem gastam mais de US$ 23 per capita por dia", complementa.
Esta é a terceira e última edição do 6º Relatório de Avaliação do IPCC. A primeira delas foi publicada em agosto de 2021 e apontou que parte das ações diretas do homem em relação ao planeta têm consequências irreversíveis. Já a segunda parte, de março de 2022, foi voltada para os impactos da crise do clima, os possíveis caminhos de adaptação e as vulnerabilidades globais.
Enquanto o painel chama atenção para o fato de a humanidade já ter consumido 80% do carbono que podia para ter a chance de barrar o aumento da temperatura, ele apresenta soluções e defende que todos os setores da economia são capazes de reduzir as emissões que causam o aquecimento global até 2030.
"Emissões líquidas cumulativas históricas de CO2 entre 1850 e 2019 equivalem a 80% do carbono total disponível para ter uma chance de 50% de limitar o aquecimento do planeta em 1,5ºC", disse o IPCC.
Ao menos 18 países do mundo já estão implementando medidas efetivas para a descarbonização nos últimos 10 anos. Os pesquisadores afirmam que "limitar o aquecimento global exigirá grandes transições no setor de energia", com uma redução nos combustíveis fósseis, um nível mais alto de eficiência energética e a implementação de alternativas para a geração de energia limpa.
"Ter a política, a infraestrutura e a tecnologia certas para permitir mudanças no nosso estilo de vida e comportamento podem resultar em até 70% de redução nas emissões de gases de efeito estufa até 2050", disse Priyadarshi Shukla, presidente do grupo de trabalho da terceira edição do relatório.
Na última conferência do clima da ONU, a COP26, o documento final assinado pelos mais de 200 países-membros contemplou pela primeira vez a redução gradativa dos subsídios aos combustíveis fósseis e do uso do carvão. Por outro lado, países já afetados pelas mudanças climáticas, como Ilhas Marshall, Tuvalu e África do Sul, ainda defendem o financiamento de países ricos pelos problemas causados — medida que não saiu do papel.
Além disso, o relatório desta segunda-feira faz uma defesa às novas "oportunidades" para as cidades e áreas urbanas. Segundo o documento, os grandes e médios centros podem ter um menor consumo de energia com a criação de cidades mais compactas e caminháveis, uso de eletricidade para o transporte e novas fontes de geração de energia.
"As áreas urbanas podem criar oportunidades para aumentar a eficiência no uso de recursos e reduzir significativamente as emissões . Isso pode ocorrer por meio da transição sistêmica da infraestrutura e da urbanização que leve a um desenvolvimento de baixas emissões, em direção a emissões líquidas zero", disse Mercedes Bustamante, cientista e professora da Universidade de Brasília, uma das autoras da nova edição do IPCC.
"Esforços ambiciosos de mitigação, tanto para cidades já estabelecidas, como para aquelas em rápido crescimento e emergentes, abrangerão redução ou mudança no consumo de energia e materiais, eletrificação, e aumento na absorção e armazenamento de carbono no ambiente urbano", disse.

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