
05/04/2022
Como proprietário da Whyalla Diving Services e defensor há décadas da sépia-gigante-australiana, Bramley observa há anos o acasalamento frenético e colorido das sépias, que acontece no Parque Marinho do Norte do Golfo Spencer, na Austrália do Sul.
Outrora apenas de interesse dos pescadores e mergulhadores locais — que tratavam de avisar uns aos outros que "as sépias estavam na área" —, este fenômeno marinho atrai agora turistas e pesquisadores de todo o mundo.
É um incentivo bem-vindo para a pequena cidade siderúrgica de Whyalla, na Península de Eyre, na Austrália do Sul.
As sépias — um tipo de invertebrado marinho que é parente próximo do polvo — são moluscos inteligentes capazes de mudar de cor e textura instantaneamente.
Sabe-se que conseguem escapar de labirintos e podem hipnotizar suas presas transformando seus corpos em luzes estroboscópicas, emitindo rapidamente cores pela pele para distrair e atordoar um caranguejo ou peixe desavisado.
Suas habilidades de camuflagem deixam os camaleões envergonhados e chegaram até a chamar a atenção de militares dos EUA, que pesquisaram as habilidades de mudança de cor das sépias na esperança de replicar suas técnicas para uso do exército.
Se isso não é inusitado o suficiente, seus comportamentos de acasalamento são estranhos, para dizer o mínimo.
De maio a setembro de cada ano, centenas de milhares de sépias-gigantes-australianas se reúnem nas águas próximas de Point Lowly, na parte mais ao norte do Golfo Spencer, com o único propósito de acasalar.
É quando acontece o espetáculo de sexo subaquático mais extravagante da natureza.
As maiores sépias do mundo são encontradas nas águas do sul da Austrália, mas apenas em Whyalla elas se reúnem em grande número para acasalar.
"O número estimado de sépias na agregação reprodutiva de 2020 foi de 247 mil, o mais alto já registrado", afirmou Bronwyn M Gillanders, uma renomada pesquisadora de sépias e chefe da escola de ciências biológicas da Universidade de Adelaide, na Austrália.
"Este número foi reportado, mas sabemos que provavelmente é subestimado."
De acordo com Gillanders, Whyalla atrai as sépias devido à sua paisagem marinha única.
A região mais ao norte do Golfo Spencer oferece muitas saliências rochosas que as fêmeas usam para colocar seus ovos.
Embora as sépias acasalem em outros lugares, o Golfo Spencer é o palco da maior agregação conhecida do planeta.
Não há nenhum outro lugar no mundo em que se pode observar comportamentos de acasalamento tão espetaculares e estranhos em massa, incluindo mudanças de cor e machos que se disfarçam de fêmeas.
Ninguém disse que encontrar um parceiro era fácil — e estas sépias estão solteiras/os e prontas para se misturar —, mas primeiro, precisam chegar à festa.
Bramley explica que algumas sépias foram marcadas, revelando que algumas delas viajam pelo menos 65 km do sul da cidade e outras 35 km do norte para chegar às zonas de reprodução no Golfo Spencer.
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