
05/04/2022
A forte estiagem que atingiu o estado de São Paulo em 2021 baixou os níveis de rios e reservatórios, forçando várias cidades a restringir a oferta de água.
Mas os efeitos da seca não foram sentidos por todos: municípios abastecidos exclusivamente pelo aquífero Guarani, uma das maiores reservas de água doce do mundo, não impuseram racionamentos.
Diante de crises hídricas cada vez mais frequentes no estado, o aquífero tem ganhado peso no abastecimento público e se revelado uma fonte estável em tempos de mudanças climáticas.
Dados do Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) do estado de São Paulo repassados à BBC mostram que 2021 foi o ano com a maior concessão de outorgas para a instalação de poços que extraem água do Guarani: 564.
Hoje, segundo o DAEE, há 3.200 poços autorizados a operar na porção paulista do aquífero, além de 224 processos em tramitação.
Dentre todas as licenças, 71% foram concedidas a partir de 2014, quando São Paulo enfrentou uma das maiores crises hídricas de sua história. Desde aquele ano, o número de outorgas vem crescendo anualmente.
Municípios como Ribeirão Preto, Sertãozinho e Matão hoje dependem 100% do aquífero Guarani para seu consumo de água.
Outros, como São José do Rio Preto, São Carlos, Bauru e Franca, têm o Guarani entre suas principais fontes hídricas.
Um estudo de 2020 estimou que, em toda sua extensão, o aquífero já abastece mais de 15 milhões de pessoas - a maioria delas no Estado de São Paulo.
O Estado ocupa 13% da extensão do aquífero, mas responde por 70% de toda água extraída da reserva, segundo a OEA (Organização dos Estados Americanos).
Embora especialistas vejam espaço para um uso ainda maior, há locais em que a exploração do aquífero tem gerado preocupações - ou pelo bombeamento intenso, ou pela contaminação das águas.
O Sistema Aquífero Guarani é uma das maiores reservas subterrâneas de água doce do mundo, ocupando 1,2 milhão de quilômetros quadrados - área duas vezes maior que a França.
O aquífero se estende por partes de oito Estados brasileiros (GO, MT, MS, MG, SP, PR, SC e RS), além de porções da Argentina, Paraguai e Uruguai.
Ele regula os rios da bacia do Paraná, que o sobrepõe em grande parte, e tem águas majoritariamente potáveis - quase todas confinadas por rochas basálticas que chegam a mais de mil metros de espessura.
A maior parte de suas águas provém de chuvas que infiltraram ao longo de vários milênios em lençóis freáticos nos trechos em que o aquífero está mais perto da superfície, as chamadas zonas de afloramento.
Leia esta matéria completa no g1
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