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Pinguins-de-adélia sobrevivem na Antártida onde gelo ainda é abundante

19/04/2022

A vida não tem sido fácil para os pinguins-de-adélia que vivem no lado ocidental da península Antártica, onde o aquecimento ligado à mudança climática vem ocorrendo em ritmo mais acelerado que praticamente qualquer outro lugar do planeta. Esse e outros fatores levaram à queda acentuada nas populações dos pinguins nas últimas décadas.
Mas do lado oriental, a história é outra.
"No lado oeste da península, a situação é desastrosa", disse Heather Lynch, ecologista estatística da Universidade Stony Brooks que estuda as populações de pinguins e suas transformações recentes. "Já no lado leste, as populações são estáveis e estão sadias."
Lynch usa imagens de satélite em boa parte de seu trabalho, mas também organiza expedições à península Antártica, a parte mais setentrional do continente antártico, para fazer levantamentos das populações de pinguins. Na última dessas expedições, em janeiro, três dos antigos e atuais doutorandos dela realizaram a contagem em ilhas no lado leste da península, no mar de Weddell.
O trabalho deles revelou que as populações de pinguins-de-adélia da área mudaram pouco desde as contagens anteriores realizadas nas duas últimas décadas. Isso sugere que, à medida que o aquecimento global continua e as populações de pinguins-de-adélia minguarem em outras partes da Antártida, o mar de Weddell pode continuar a funcionar como refúgio para as aves.
"É uma confirmação de que nos lugares onde o clima não mudou tanto, as populações tampouco mudaram muito", comentou Lynch.
O mar de Weddell é notoriamente gelado, graças a uma corrente rotatória, ou giro, que conserva boa parte do gelo compactado dentro do mar durante anos. O gelo dificulta a navegação para a maioria dos navios. (Foi no Mar de Weddell que o navio do explorador Ernest Shackleton, Endurance, foi esmagado pelo gelo um século atrás. Os destroços do Endurance foram localizados no mês passado.)
Ao longo dos anos os alunos de Lynch vêm fazendo levantamentos dos pinguins a partir de navios de cruzeiro, em troca de dar palestras e ajudar de outras maneiras. Na península Antártica, esses navios geralmente ficam do lado ocidental. Há regulamentos que limitam as visitas à costa a um conjunto específico de colônias.
A viagem de janeiro foi feita num navio do Greenpeace que deu a volta da extremidade da península, chegando ao noroeste do mar de Weddell. "É um lugar onde estávamos querendo ir", comentou Lynch.
Os três pesquisadores —Michael Wethington, Clare Flynn e Alex Borowicz— usaram drones e contagens manuais para determinar o número de filhotes presentes nas colônias de pinguins-de-adélia nas ilhas de Joinville, Vortex, Devil e outras.
Flynn, que é doutoranda na Universidade Stony Brook, disse que fazer a contagem manual das aves leva tempo. Os contadores identificam uma área específica da colônia —pode ser um agrupamento de ninhos ou uma área delineada pelos caminhos formados pela marcha dos pinguins— e contam todos os filhotes dentro da área. Para garantir a precisão, a contagem é realizada três vezes. Em Penguin Point, uma colônia grande na ilha Seymour que abriga 21,5 mil filhotes, a contagem levou dois dias.

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