
19/04/2022
Os mortos em conflitos no campo no Brasil são indígenas - em 2021, principalmente Yanomamis -, trabalhadores sem-terra, pessoas LGBTQIA+. Há casos, inclusive, em que a vítima faz parte de mais de um desses grupos.
A Comissão Pastoral da Terra (CPT) divulgou a prévia de seu levantamento na segunda-feira (11) e adiantou: foram 35 homicídios em conflitos no campo no ano passado, contra 20 em 2020, o que corresponde a uma alta de 75%. Nesta segunda-feira (18), o relatório completo é divulgado com informações detalhadas sobre essas mortes no Brasil.
● Dados parciais apontam que em 2022 já são 14 assassinatos por conflitos no campo (4 no Pará);
● Estados da Amazônia concentram 28 dos 35 assassinatos de 2021 (80%);
● Das 35 vítimas, 33 eram homens e 2 eram mulheres;
● Entre as ocorrências de conflitos, duas foram massacres (morreram 3 pessoas ou mais);
● Ao todo, 100 pessoas foram presas no ano passado, um aumento de 45% em relação a 2020. Dessas, 30, quase um terço do total, foram presas em um conflito em Rondônia;
● Os estados com maior número de assassinatos: Rondônia, com 11; Maranhão, com 9; Roraima, Tocantins e Rio Grande do Sul, cada um com 3.
A terra indígena Yanomami está sob ataque (leia mais abaixo). Um dos massacres registrados em 2021 matou pelo menos três integrantes Moxihatëtëa, que são classificados como isolados (sem contato com outros povos e não-indígenas) e sobrevivem exclusivamente do que cultivam e caçam na floresta. Eles não são identificados por nome no relatório.
Também foram mortos três sem-terra: Amarildo Aparecido Rodrigues, Amaral José Stoco Rodrigues e Kevin Fernando Holanda de Souza. Eles estavam no Acampamento Ademar Ferreira em agosto de 2021, na região de Nova Mutum, em Porto Velho. À época, segundo reportagem do g1, outras seis pessoas foram presas após confrontos com a polícia. A região é de constante conflito agrário e disputa por terra.
A categoria mortes em decorrência de conflitos no campo não inclui assassinatos, mas vítimas em consequência do problema. Por exemplo: duas crianças foram sugadas por dragas de garimpo ilegal e morreram.
Em 2021, foram 109 mortes desse tipo, contra 9 em 2020. A alta de 1.100% entre os dois anos está relacionada diretamente com a pressão de garimpeiros na terra indígena Yanomami que, sozinha, contabiliza 101 mortes do total.
O território Yanomami é um dos mais afetados pelo garimpo ilegal. Ele foi demarcado em 1992 e é a maior área do tipo no Brasil, com 9,6 milhões de hectares. Dois povos vivem na região: os Yanomami e os Ye´kwana, além de oito registros de grupos isolados. Os Moxihatëtëa, com três mortos em massacre, foram fotografados pela primeira vez em 2016.
Análise feita pelo Instituto Socioambiental (ISA), com base nos dados da plataforma Mapbiomas, aponta que entre 1985 e 2020 a exploração garimpeira na terra Yanomami cresceu seis vezes: passou de 31 mil hectares para 206 mil hectares. As informações também apontam uma aceleração desde 2010.
Para terminar de ler esta matéria acesse o g1
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