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Plantio de mudas nativas ajuda a restaurar bacia do Rio Miringuava

28/04/2022

Mais de 1,4 mil mudas de mata nativa foram plantadas em uma propriedade rural em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba (PR), na primeira fase da restauração florestal na Bacia do Rio Miringuava, que faz parte do movimento Viva Água. O objetivo é conservar e recuperar áreas estratégicas da bacia, como nascentes, margens de rios e seus afluentes, para trazer segurança hídrica e amenizar impactos gerados por períodos de estiagem e chuva excessiva.
A restauração também deve aumentar a renda de agricultores familiares da região por meio da diversificação da produção, criação de novas oportunidades de negócios e aumento da produtividade nas propriedades. Até o final do ano, 10 hectares de áreas degradadas em pequenas propriedades rurais devem ser recuperados.
“A restauração da cobertura vegetal vai trazer inúmeros benefícios aos agricultores e a toda a comunidade. Um solo bem cuidado funciona como um filtro que reduz a quantidade de sedimentos que chega ao rio, deixando a água mais limpa e reduzindo assim os custos com o tratamento da água. O solo coberto com vegetação funciona como uma esponja, que absorve a água e libera aos poucos, o que garante a disponibilidade desse recurso por mais tempo para todos”, explica Guilherme Karam, gerente de Economia da Biodiversidade da Fundação Grupo Boticário, idealizadora do Movimento Viva Água.
O projeto-piloto, conduzido pela Iniciativa Verde e pela Sociedade Chauá, acontece na propriedade da agricultora Luciane Krupczak, na comunidade Avencal. A proposta é otimizar o uso da terra, integrando mata nativa com espécies que o produtor consiga comercializar.
“Fiquei esperançosa com a proposta de restauração. Nossa comunidade é formada por agricultores familiares e é muito bom saber que podemos melhorar a nossa renda e ainda contribuir com o meio ambiente”, afirma Luciana, que nasceu na região e vive há 27 anos na mesma propriedade.
Luciana cedeu pouco mais de um hectare de sua propriedade para o projeto de restauração. Nos quatro hectares restantes, ela se dedica à produção de hortaliças e milho, além de extrair uma pequena quantidade de mel. A integração entre agricultura e floresta deve inserir a erva-mate no terreno e, com o tempo, substituir o cultivo do milho por outras opções que possam manter ou até melhorar a renda. O incremento na produção de mel deve ser um dos benefícios econômicos no médio prazo.
“Foram escolhidas espécies nativas que florescem no inverno. Com isso, é possível beneficiar espécies de abelhas que enfrentam mais restrições de recursos no período mais frio do ano. Espécies como araçá-vermelho, ipê-amarelo, entre outras, serão utilizadas para ampliar o pasto apícola”, conta Karam, lembrando que a restauração promovida pelo Viva Água não tem custo aos produtores.
Além das mudas inseridas em áreas degradadas, o projeto contempla a inserção de espécies nativas para enriquecimento da biodiversidade em partes dos terrenos onde já existe vegetação e a integração da mata nativa com espécies de valor comercial, como a erva-mate.
Em outra frente, o Viva Água está desenvolvendo um mecanismo de vendas de crédito de carbono com os clientes do Programa Carbon Free para a aquisição de novas mudas e a manutenção da assistência aos produtores. Estudos estão em desenvolvimento para a projeção do estoque de carbono que as áreas recuperadas serão capazes de gerar a cada ano.

A matéria completa pode ser lida no Ciclo Vivo

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