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Cascas de castanha-de-caju viram larvicida contra Aedes aegypti

03/05/2022

O combate ao Aedes aegypti, responsável pela transmissão de doenças como dengue, zika, chikungunya e febre amarela, já ganhou um novo aliado: o líquido da casca de castanha-de-caju (LCC). Com a expertise de pesquisadores da Universidade Federal do Ceará no manejo desse subproduto agroindustrial, foram desenvolvidos cinco derivados de baixo custo.
As substâncias desenvolvidas atuam como larvicidas naturais contra o mosquito, com ação menos tóxica do que a dos saneantes sintéticos hoje utilizados. A meta agora é fabricar um larvicida que possa ser utilizado de forma caseira, sem a necessidade de aplicação por agentes de saúde.
O Prof. Diego Lomonaco, do Departamento de Química Orgânica e Inorgânica (DQOI) da UFC, participa do estudo liderado pela Profª Alexeia Barufatti, da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), que conta ainda com pesquisadores da Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul (UEMS) e da Universidade Federal de São Paulo.
Lomonaco foi quem iniciou, ainda em 2006, a aplicação do LCC no combate às larvas do Aedes aegypti. Ele produziu, em 2008, um artigo pioneiro comprovando que o subproduto tinha ação larvicida, intitulado “Study of technical CNSL and its main components as new green larvicides” (“Estudo do LCC técnico e seus principais componentes como novos larvicidas verdes”), que foi publicado na renomada revista Green Chemistry.
“Foi um tiro no escuro no meio do mestrado. A minha orientadora na época, Profª Gilvandete Santiago, trabalhava em pesquisas envolvendo substâncias naturais como larvicidas para dengue e, como a composição química do LCC é basicamente de fenóis, e fenóis são substâncias biologicamente ativas, a minha ideia foi: será que o LCC vai funcionar contra as larvas da dengue?”, lembra o professor. E funcionou. O estudo abriu janelas para essa nova linha de investigação e, desde então, ele vem aperfeiçoando os achados no Laboratório de Produtos e Tecnologia em Processos (LPT/UFC), agora atuando em parceria com pesquisadores de outras universidades.
“O plano é desenvolver um produto para ser usado de forma caseira, pelas próprias pessoas em casa. O mais amplo, mais acessível possível, não só economicamente falando, mas em disponibilidade e manuseio”, aponta. “A gente quer ver o quão mais seguro ele é em relação ao sintético, para que a venda não seja controlada”, completa.
O LCC técnico não possui odor, assim como os derivados produzidos. Segundo o professor, o plano é que se mantenha a característica líquida do produto, para que ele seja aplicado com a utilização de conta-gotas.
O líquido da casca de castanha-de-caju é um subproduto industrial de baixo custo, obtido por meio do beneficiamento da castanha-de-caju. Negro e viscoso, esse óleo pode ser classificado como técnico ou natural. No Brasil, a extração das amêndoas do caju é feita através do cozimento, processo que gera grandes quantidades de LCC técnico, o qual é utilizado na presente pesquisa. Já o LCC natural é obtido através da prensagem da casca da castanha in natura ou extraído com o uso de solventes orgânicos.

Fonte: Ciclo Vivo

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