
03/05/2022
O biólogo Edu Fragoso, 32 anos, compartilha nas redes sociais uma série de fotos de silhuetas de aves do Pantanal de Mato Grosso do Sul sob a luz do luar. Coordenador científico da Associação Onçafari, ele está acostumado a viver entre as matas pantaneiras de Miranda (MS), a 208 km de Campo Grande.
Ao anoitecer, os grilos começam a estridular e as lentes fotográficas ficam a postos, aguardando o momento exato em que a lua cheia posiciona-se por trás das aves no topo das árvores. Paciência, concentração e tempo. Elementos fundamentais para o clique certo.
“Não são fotos fáceis de fazer, pois elas dependem de uma combinação muito específica de fatores, lua cheia, uma silhueta legal, um animal parado no mesmo local e que esteja perfeitamente enquadrado com a lua ao fundo”, descreve Edu em conversa com o g1.
A foto mais recente, feita neste mês de abril, exibe a silhueta de um tachã, ave também conhecida como anhuma-do-pantanal. Para o registro perfeito, Edu aguardou por quase 1h.
“Estava voltando do monitoramento das onças-pintadas, vi a lua nascendo em campo e já pensei no casal de tachãs que dormem no topo de uma árvore que fica na frente da minha casa. Cheguei e fiquei esperando uns 40 minutos até o momento exato que a lua ficou por trás de um deles e fiz esse clique”, relata o biólogo.
A série, que começou ainda em 2020, é uma combinação de sorte e talento. “Primeiro é necessário antecipar a cena, me preparar e a câmera precisa estar com as configurações corretas para que a foto saia com o resultado que eu vislumbrei”, explica Edu.
Papagaios, tachãs e outras aves tornam-se, pelas lentes do biólogo, estrelas ao luar. Contudo, Edu conta que é comum ficar aguardando e no momento exato, toda a situação mudar.
“Na primeira foto que eu fiz, eu vi um tuiuiú, que uma ave símbolo do Pantanal, no topo da árvore e a lua subindo lentamente por trás dele. Minutos antes da silhueta dele aparecer com a lua ao fundo, um urubu-de-cabeça-preta voou na direção do tuiuiú e espantou ele do galho”, conta entre risos.
Para aproveitar a ocasião, o urubu foi o protagonista da foto. “A foto ficou legal, mas ainda espero pela oportunidade de fotografar um tuiuiú na lua cheia”, completa Edu.
A série “Silhuetas” surgiu de maneira orgânica, despretensiosamente. “Eu sou biólogo de campo aqui no Pantanal, então sempre estou rodando de carro e quando vejo uma oportunidade para fotografar, não deixo passar”, pontua ele.
Fonte: g1
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