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Onda de calor branqueia 91% da Grande Barreira de Corais na Austrália

12/05/2022

Uma prolongada onda de calor na Austrália causou o branqueamento de 91% da Grande Barreira de Corais da Austrália, revela um novo relatório de monitoramento divulgado pelo governo.
Dos 719 recifes estudados, 654 (91%) mostram danos por branqueamento.
É a primeira vez que estes danos acontecem em paralelo ao fenômeno climático de La Niña, que, em tese, esfria as temperaturas dos oceanos."A mudança climática está se agravando, e a Grande Barreira de Corais já está experimentando as consequências disso", adverte o texto do governo, publicado na noite de terça-feira (10).
Este é o quarto "branqueamento em massa" sofrido pelo maior recife do mundo desde 2016.
A Autoridade do Parque Marinho da Grande Barreira de Corais fez estudos aprofundados do local, catalogado como Patrimônio Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), entre setembro de 2021 e março de 2022.
De acordo com esse estudo, quando a água do mar começou a se aquecer em dezembro passado, as três grandes regiões do recife sofreram um branqueamento. Este fenômeno é causado pelo estresse térmico dos corais e pela consequente expulsão das algas brilhantes que vivem nele e dão-lhe sua cor.
Os corais esbranquiçados continuam vivos e podem se recuperar, se as condições melhorarem, mas "os corais muito brancos apresentam níveis de mortalidade elevados", adverte o documento, cuja primeira versão foi publicada em março.
O informe é divulgado dez dias antes das eleições federais da Austrália em 21 de maio, nas quais a mudança climática emerge como uma questão-chave para os eleitores.
O primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, quer manter a meta de neutralidade de carbono em 2030, apesar das críticas que pedem marcos mais ambiciosos. Também se comprometeu a exportar carvão enquanto houver demanda. Na oposição, o Partido Trabalhista tampouco fala de acabar com o uso do carvão.
"Embora seja cada vez mais frequente, o branqueamento não é normal e não devemos aceitar como se fosse", advertiu Lissa Schindler, ativista da Australian Marine Conservation Society.
"Os dois principais partidos devem se dobrar à realidade: seus objetivos climáticos não são suficientes para o recife", frisou.
No próximo mês, o Comitê do Patrimônio Mundial das Nações Unidas deve decidir se inclui o recife na lista de lugares protegidos "em perigo", devido à deterioração causada pelos efeitos climáticos.

Fonte: Folha de S. Paulo

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