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Massa de ar polar? Ciclone extratropical? Subtropical? Entenda o que são esses fenômenos

19/05/2022

A ´friaca´ que promete derrubar as temperaturas nesta semana é resultado do deslocamento de uma massa de ar polar muito forte que vai coincidir com a passagem de um ciclone tropical que foi reclassificado para tempestade.
Mas o que são, de fato, esses fenômenos e o que explica sua ocorrência? O g1 conversou com meteorologistas para entender o assunto. Leia abaixo:

1) O que são ciclones? O que é um ciclone extratropical?
Para entendermos isso precisamos lembrar que a atmosfera da Terra exerce uma pressão sobre a superfície do globo. A pressão do ar é maior ao nível do mar e diminui à medida que a altitude sobe, pois quanto mais ar, temos mais peso.
Os ciclones são sistemas de baixa pressão atmosférica, isto é, regiões causadores de tempo adverso em grande escala, explica o meteorologista Bruno Bainy, do Centro de Pesquisas Meteorológicas da Unicamp.
"Eles promovem convergência de umidade nos níveis baixos e estão associados a movimentos verticais ascendentes do ar, ambos fatores contribuindo para a formação e o desenvolvimento de nuvens", afirma.
Segundo o meteorologista, são três os diferentes tipos de ciclones:
1. Tropicais: também conhecidos como furacões ou tufões, eles se formam em regiões equatoriais, sobre os oceanos, e retiram sua energia do calor extraído dos mares;
2. Extratropicais: se formam preferencialmente em latitudes médias, e são formados pelo contraste de temperaturas de diferentes massas de ar (quente e fria);
3. Subtropicais: possuem características de ambos anteriores. Tipicamente, se formam quando um ciclone extratropical se desenvolve sobre o oceano, e encontra temperaturas na superfície do mar mais aquecidas.

Cesar Soares, meteorologista da Climatempo, diz que, apesar de o nome assustar, os ciclones são mais comuns do que imaginamos. Os extratropicais, por sua vez, são aqueles associados às frentes frias (regiões que demarcam o avanço de massas de ar).
"Então, toda vez que passa uma frente fria pelo Brasil, isso significa que a gente está sobre influência de um ciclone extratropical. Ele é extratropical porque ele se forma nos extratrópicos", afirma. "E esse foi o sistema que disparou tudo que estamos começando a sentir, mas não foi só ele".
Soares explica que foram várias áreas de baixa pressão que deram origem a esse ciclone extratropical em específico e que agora ele está mudando de categoria e passando a ser um ciclone subtropical. Por essa razão, ele deve ser mais intenso e trará ventos mais fortes.
Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), as rajadas de vento podem superar os 100 km/h do extremo sul e leste do Rio Grande do Sul ao litoral sul de Santa Catarina.

2) O que é uma massa de ar polar? Por que ela vai derrubar as temperaturas?
Bainy explica que massas de ar são enormes porções atmosféricas que persistem em uma determinada região do planeta e adquirem propriedades dessa superfície. Assim, temos massas que são caracterizadas como secas, úmidas, frias, quentes, etc.
Por isso, como o próprio nome sugere, as massas de ar de origem polar se formam nos polos e possuem baixas temperaturas.
"Em geral, são continentais, e por este motivo têm baixo teor de umidade em si. Mesmo atravessando o oceano, essas características se preservam bem, mas sempre há interação transformadora com a superfície pela qual ela passa. No entanto, assim que essa massa de ar se estabelece sobre uma localidade, vai se ajustando às novas condições, e perde suas características originais", afirma.
Cesar Soares, da Climatempo, acrescenta que, como o ciclone trará ventos muito fortes para a região Sul nos próximos dias, ele irá "jogar" essa massa de ar frio para as áreas mais centrais do Brasil, derrubando as temperaturas pelo país.
"Por isso que teremos uma queda de temperatura muito brusca. Depois desse ciclone subtropical, vem o ar frio muito intenso", diz.
"E também teremos condição de neve (em algumas áreas do Sul) porque esse sistema irá infiltrar umidade numa atmosfera já muito gelada", finaliza o meteorologista.

Fonte: g1

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