
24/05/2022
O Parque Nacional da Serra da Canastra, em São Roque de Minas, é conhecido mundialmente pelas riquezas de flora e fauna e por abrigar espécies de animais raros e em extinção.
Recentemente, pesquisadores descobriram que o local também é o habitat da borboleta "ribeirinha", que consta na lista de alerta internacional para risco de extinção. A espécie foi encontrada e catalogada na região por pesquisadores da Universidade do Estado de Minas Gerais (UFMG).
Par de asas pretas com detalhes em rosa: essa foi a descrição dos pesquisadores sobre a espécie parides burchellanus, que tem recebido a atenção dos membros da União Internacional para Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais.
O nome "ribeirinha" não é por acaso. Está relacionado ao meio onde o inseto vive, segundo a bióloga e pesquisadora do programa de ecologia da UFMG, Marina Beirão.
Essa espécie precisa de locais com sombra, muita água – como riachos e córregos – e de uma planta trepadeira chamada "papo-de-peru" ou "jarrinha", essencial para a alimentação da borboleta na fase em que ela ainda é uma larva. Ambientes como esse são chamados de matas ciliares ou matas de galeria.
Os registros de ocorrência da "ribeirinha", segundo a bióloga, são do Distrito Federal e Brumadinho e, agora, na Serra da Canastra.
"Por volta de 2007, fizemos uma busca muito grande na região de Brumadinho, como parte de um projeto do Ministério do Meio Ambiente, e encontramos a borboleta ´ribeirinha´. Depois disso, com o rompimento da barragem de mineração, voltou a demanda para procurar essa espécie. A gente foi a várias áreas, incluindo alguns pontos que tínhamos visitado naquele primeiro trabalho, e achamos que seriam ideais para esse monitoramento”, relatou.
A bióloga conta que foram encontradas mais borboletas "ribeirinhas" machos e jovens, pois saem do casulo antes das fêmeas. Depois de analisadas, as borboletas são devolvidas à natureza para continuarem o seu ciclo.
O professor Frederico Neves, do Laboratório de Ecologia de Insetos do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da UFMG, explicou que a conservação do ambiente em que a borboleta se encontra é fundamental para sua sobrevivência.
"Se, eventualmente, a borboleta ou a planta da qual ela se alimenta desaparecem, toda uma história evolutiva é perdida. E isso pode ameaçar o equilíbrio ambiental daquele local. Por isso, é feito o monitoramento. O objetivo é entender o que ocorre e utilizar as informações para traçar estratégias para que não haja algum tipo de extinção", disse.
A formiga e o besouro são alguns dos outros insetos monitorados pelos programas de extensão científica da universidade, já que são animais que ajudam na manutenção do ecossistema, assim como as borboletas.
Frederico Neves alerta que todos devem ajudar a cuidar do ecossistema, e que não basta retirar as pessoas do local, como forma de conservação.
"A gente tem que trazer essas pessoas como parceiros, mostrar que elas são importantes”, pontuou.
Fonte: g1
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