
26/05/2022
Uma estação na cidade mexicana de Tulum, na península de Yucatán, está sendo construída utilizando técnicas retiradas do antigo manual maia. A estação irá atender uma nova linha ferroviária de 1.525 km criada para a cidade, que fica localizada ao longo da Riviera Maia, no Caribe mexicano.
O escritório Aidia Studio foi o responsável pelo projeto, que teve como ponto de partida desenvolver um projeto sustentável que trouxesse com ele uma narrativa sobre as qualidades da arquitetura maia pré-hispânica através do uso de luz, sombras, padrões, materiais e vegetação.
Segundo os arquitetos, um dos elementos-chave era minimizar a pegada da estação, criando um projeto com menos impacto espacial. Então, depois de explorar diferentes configurações, foi adotada uma pegada em forma de olho, mais ampla no centro, onde as funções principais convergem em um esquema mais compacto, conectando diversos andares com circulação vertical e apresentando um grande salão inundado de luz e ventilação natural.
Outra prioridade importante durante o processo de design foi a experiência do usuário, facilidade de mobilidade, orientação e a presença de luz natural. A configuração linear da estação e a simetria naturalmente ajudam, isso foi auxiliado pela geometria do telhado que intuitivamente navega os usuários em direção ao centro da estação.
O clima na península de Yucatán é tropical com chuvas e muita umidade no verão, para lidar com esse clima extremo, os arquitetos previram uma grande cobertura de treliça aberta, envidraçada em locais estratégicos, possibilitando espaços públicos semiabertos que funcionem sem ventilação mecânica. A luz do sol que penetra pelo telhado, projeta padrões geométricos complexos nas paredes e pisos da estação, um jogo de luzes e sombras viajando pelo espaço e evocando diferentes sensações nos usuários.
O projeto utilizou técnicas passivas de arquitetura para criar um desenho que bloqueia o sol excessivo, porém permite que ele entre em horários mais frescos, como pela manhã e ao final da tarde. Essa estratégia negocia a quantidade de exposição à radiação e a quantidade de luz natural que entra na estação.
A geometria aerodinâmica do telhado promove a sucção da brisa do mar e canaliza-a através da estação. Esta é a chave para criar uma atmosfera confortável para os usuários sem a necessidade de ventilação mecânica.
A estrutura do telhado é uma grade de aço revestida com painéis de concreto reforçado com fibra de vidro na parte superior e painéis de madeira laminada abaixo. Os motivos resultantes em ambos os lados externo e interno trazem a referência dos padrões geométricos tradicionais maias.
“Ao longo da jornada de design, nosso objetivo foi infundir a estação com algumas das características mais conhecidas da Arquitetura Maia; simetria, monumentalidade, alinhamento geométrico e o uso de calcário são atrações constantes na arquitetura maia. Como tal, tentamos honrar essa herança resgatando aquela mesma qualidade espacial apenas reinterpretada de uma forma contemporânea”, diz o site do escritório.
Fonte: Ciclo Vivo
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