
07/06/2022
Sediada na capital sueca meio século depois da conferência que colocou a preocupação ambiental na agenda global, Estocolmo+50 impressiona com discursos fortes e poucas ações concretas. A lista de tarefas que os governos levam para casa depois dos dois dias da Conferência Estocolmo+50, cúpula sobre meio ambiente que comemorou as cinco décadas da primeira reunião do tipo feita no mundo, é carregada de termos bastante familiares.
Respeito aos direitos humanos e ambientais, maior velocidade no cumprimento de acordos e metas já assumidas, e mais dinheiro para projetos sustentáveis fazem parte das recomendações-chave aprovadas no documento ao fim das plenárias, na sexta-feira (03), na capital da Suécia.
Para o governo sueco, que presidiu a conferência, a sensação é de dever cumprido. "Acreditamos que mobilizamos e aproveitamos —coletivamente— o potencial deste encontro. Agora temos um plano de aceleração para ir mais longe", declarou a ministra sueca do Meio Ambiente, Annika Strandhäll, após a leitura do documento.
Strandhäll defende que Estocolmo+50 foi um marco "no nosso caminho rumo a um planeta mais saudável para todos, não deixando ninguém para trás".
Para os demais participantes, a sensação é de que os discursos, unânimes quanto à urgência de mudanças para a continuidade da vida humana na Terra, não vão muito além das palavras de efeito.
A ex-ministra do Meio Ambiente brasileira Izabella Teixeira, por exemplo, percebe que as tensões políticas e relações complexas entre os países mais ricos e mais pobres não desaparecem. Sem dinheiro e com menor participação nos processos de negociações, é difícil para os menos desenvolvidos fazerem o esperado dever de casa.
"Não há como avançar se o multilateralismo ambiental não tiver um papel mais estratégico na construção dos processos de desenvolvimento. Tem que ter capacidade de intervir [como o Fundo Monetário Internacional] para ajudar os países expostos e vulneráveis. É preciso mudar métricas, escalas e a governança ambiental-climática para o rumo da prosa mudar", diz Teixeira à DW, em Estocolmo.
Um senso de esvaziamento da conferência também esteve presente. "Há um certo sentimento de perda, de que falta alguma coisa aqui, mas acho que tem a ver com o momento histórico que estamos vivendo. Há uma guerra aqui do lado, e os temas mudanças climáticas e biodiversidade estão separados, setorizados, com seus caminhos próprios", comenta o ministro do STJ (Superior Tribunal de Justiça) Antonio Herman Benjamin, bastante atuante na área ambiental, fazendo referência às convenções específicas dentro das Nações Unidas que têm suas próprias negociações diplomáticas.
O ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, discursou na abertura, no entanto, se recusou a dar entrevista ao ser abordado pela reportagem quase no fim do evento.
Mencionados como "próximas gerações" na reunião inaugural sobre Meio Ambiente em 1972, jovens movimentaram os corredores da edição de 2022. Entre eles estava Samela Sateré Mawé, 25, indígena do estado do Amazonas.
"É praticamente impossível, inacessível, para jovens como eu estar aqui", afirma à DW. "A nossa geração está muito preocupada com o futuro e com a atualidade. A gente vive num país onde mais se desmata, mas que tem a maior diversidade. E nos preocupamos com isso, queremos que todos tenham possibilidade de vida, de respirar ar limpo", adiciona.
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