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Rio João Mendes, em Niterói, recebe ecobarreira para contenção de resíduos sólidos flutuantes

29/09/2022

O principal afluente do sistema lagunar de Itaipu, o Rio João Mendes recebeu recentemente uma ecobarreira com o objetivo de conter os resíduos sólidos flutuantes que são diariamente descartados em suas águas. O projeto, idealizado e executado pelo Instituto Floresta Darcy Ribeiro (Amadarcy), busca conservar a biodiversidade responsável pela existência de aves, jacarés-de-papo-amarelo e manguezais da região. Esta bacia hidrográfica corta os bairros de Engenho do Mato, Itaipu, Maravista, Santo Antônio, Serra Grande e Várzea das Moças e tem cerca de sete quilômetros de extensão. Apenas no primeiro dia, a contenção, instalada num trecho localizado em Maravista, reteve aproximadamente 720 quilos de resíduos. O custo total do projeto foi orçado em R$ 5 mil.
Felipe Queiroz, diretor executivo da Amadarcy, acredita que por mês serão retiradas quase duas toneladas de lixo das águas. O material será recolhido por voluntários, inicialmente toda quinta-feira, aproveitando a coleta seletiva que acontece na região. Também faz parte do projeto uma análise quali-quantitativa desse material. Além disso, a associação pretende desenvolver palestras nas escolas do entorno com foco no descarte de resíduos e efluentes.
— Vamos realizar vistorias e mutirões para retirada de resíduos com a participação de voluntários. Esperamos no primeiro ano do projeto diminuir drasticamente o aporte de lixo sólido no Parque Estadual da Serra da Tiririca e em outras áreas. Temos muita preocupação com o sistema como um todo, porque ao longo dos anos esses locais foram negligenciados — acredita.
Queiroz também alerta que as áreas de preservação permanente foram devastadas pela especulação imobiliária e pela falta de fiscalização. Segundo o ambientalista, ao longo do Rio João Mendes existem diversas construções dentro do leito do curso hídrico, o que ocasionou a supressão da mata ciliar, que deveria ter uma margem de 30 metros de preservação.
— A ineficiência do poder público é uma das principais responsáveis pelo descarte irregular de esgoto que piora ainda mais o estado da qualidade das águas dos rios e dos sistemas lagunares. Niterói tem ainda outros cinco cursos d’água assoreados por causa das obras de drenagem sem planejamento — afirma.
Manilhamento de parte do curso dos rios, canais concretados, ocupação das margens, despejo de lixo e esgoto, assoreamento e baixa declividade de leito são as principais causas apontadas por especialistas para a piora na qualidade das águas e pelo transbordamento em dias de chuva forte em toda a Região Oceânica.
A gestora ambiental Hannah Marchon reconhece que a instalação de ecobarreiras minimiza esses efeitos que impactam consequentemente o sistema lagunar, manguezais, praias e as duas unidades de conservação estaduais, a Reserva Extrativista Marinha de Itaipu e o Parque Estadual da Serra da Tiririca. E espera que essa medida seja replicada em outros pontos da cidade.
— As obras de drenagem são importantes, mas a minha preocupação é o descarte irregular de esgoto, que já vimos acontecer na região. Por isso, é de extrema importância chamar a atenção dos moradores para esse problema. É importante também que a prefeitura e a concessionária cuidem do saneamento básico de forma mais eficaz, reforçando a fiscalização. Os recursos hídricos da cidade de Niterói estão poluídos, e isso compromete tanto o ambiente natural como a saúde das pessoas — ressalta.
A engenheira química Kátia DuBois acompanhou os índices de balneabilidade durante 11 meses e aponta que as águas da lagoa estão impróprias para banho. Ela apresentou um relatório na mais recente reunião do Comitê de Bacia das Lagunas de Itaipu e Piratininga (Clip), realizada no início deste mês.

Fonte: O Globo

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