
22/01/2026
Os pinguins estão antecipando sua temporada de reprodução em níveis recordes à medida que a Antártida se aquece rapidamente devido às mudanças climáticas, de acordo com pesquisa publicada por uma equipe global de cientistas.
A mudança, sem precedentes, observada ao longo de uma década nos padrões reprodutivos dos pinguins está "altamente correlacionada" com o aumento das temperaturas no continente congelado, disse o autor principal do estudo, Ignacio Juarez Martinez.
A reprodução dos pinguins está intimamente ligada à disponibilidade de alimentos, e menos gelo marinho significa que as áreas de caça e locais de nidificação estão mais disponíveis durante o ano.
Os cientistas que observam populações de pinguins na Antártida esperavam que a reprodução ocorresse um pouco mais cedo, mas ficaram "muito surpresos tanto com a escala quanto com a velocidade do avanço", disse Martinez à AFP.
"A escala é tão grande que os pinguins na maioria das áreas agora estão se reproduzindo mais cedo do que em qualquer registro histórico", disse Martinez, cientista das universidades de Oxford e de Oxford Brookes.
Para este estudo, cientistas observaram zonas de nidificação de pinguins-gentoo (Pygoscelis papua), pinguins-de-barbicha (Pygoscelis antarcticus) e pinguins-de-adélia (Pygoscelis adeliae) de 2012 a 2022 usando dezenas de câmeras time-lapse colocadas em colônias em toda a Antártida.
Os pinguins-gentoo demonstraram a maior mudança, com o período de reprodução antecipado em 13 dias ao longo da década —e até 24 dias em algumas colônias.
Essa é a mudança mais rápida na temporada de reprodução observada em qualquer ave —e possivelmente em qualquer vertebrado— até o momento, disseram os cientistas.
Os pinguins-de-adélia e pinguins-de-barbicha também anteciparam sua temporada de reprodução em uma média de 10 dias.
As descobertas foram publicadas no Journal of Animal Ecology.
A Antártida é uma das regiões que mais se aquecem rapidamente no mundo, e as temperaturas médias anuais lá atingiram recordes no ano passado, disse o monitor climático da União Europeia, Copernicus, neste mês.
Os mecanismos exatos pelos quais o aumento das temperaturas afeta o comportamento dos pinguins ainda não são totalmente compreendidos pelos cientistas.
As três espécies tradicionalmente escalonavam suas temporadas de reprodução, mas o período mais antecipado provavelmente estava causando uma sobreposição, aumentando a competição por alimentos e espaço de nidificação livre de neve.
Isso foi uma novidade mais positiva para os pinguins-gentoo —forrageadores naturais adaptados a condições mais temperadas— e menos para os pinguins-de-adélia e pinguins-de-barbicha.
"Já vimos pinguins-gentoo ocuparem ninhos que anteriormente eram ocupados por pinguins-de-adélia ou pinguins-de-barbicha", disse Martinez.
A reportagem na íntegra pode ser lida na Folha de S. Paulo
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