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Décadas após proibição, poluentes ainda são encontrados em aves

03/02/2026

No livro Primavera Silenciosa, de 1962, a bióloga norte-americana Rachel Carson relata como o DDT, um pesticida até então largamente utilizado para conter pragas agrícolas, era responsável pela morte massiva de aves, incluindo a emblemática águia-americana.
Uma das razões era que a contaminação torna as cascas dos ovos mais finas, a ponto de as mães os quebrarem quando se sentam para chocá-los. O livro é tido como fundador do movimento ambientalista moderno.
Nos anos 1970, a maior parte dos países ricos havia banido o DDT. No Brasil, a proibição agrícola só ocorreu em 1985, mas o veneno continuou liberado para controle de vetores de doenças como o Aedes aegypti. Apenas em 2009 uma lei proibiu o uso, a fabricação e estocagem do diclorodifeniltricloretano no país, seguindo a Convenção de Estocolmo sobre Poluentes Orgânicos Persistentes.
No entanto, um trabalho publicado na revista Environmental Monitoring and Assessment, com apoio da FAPESP, traz novas evidências sobre a presença do DDT e de outros chamados poluentes orgânicos persistentes (POPs) no organismo das aves.
“Ainda que não tenham sido usados numa determinada área, os poluentes orgânicos sofrem o efeito gafanhoto. Nesse fenômeno, eles se evaporam no calor e se condensam novamente no frio. Com isso, migram pelo ar, das baixas latitudes dos trópicos em direção às áreas polares”, explica Janeide de Assis Guilherme Padilha, pesquisadora da Universidade do Minho, em Portugal, e primeira autora do estudo.
Numa parceria com a pesquisadora Maria Virginia Petry, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), Padilha e pesquisadoras do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IO-USP) analisaram os fígados de carcaças de aves marinhas de seis espécies encontradas na costa do Rio Grande do Sul durante sua migração anual para o Atlântico Sul.
As pesquisadoras analisaram ainda o sangue de uma população residente de atobá-pardo (Sula leucogaster) no Arquipélago de São Pedro e São Paulo, conjunto de ilhas rochosas distante cerca de mil quilômetros da cidade de Natal (RN).
Mesmo tão longe da costa e de atividades humanas, os atobás-pardos do arquipélago apresentaram contaminação por DDT e por PCBs (bifenilas policloradas), compostos industriais antes usados em transformadores e reatores elétricos.
As seis espécies analisadas da costa gaúcha, ainda que com diferentes hábitos alimentares, apresentaram níveis parecidos de POPs entre si, embora os dois indivíduos de pardela-de-bico-preto (Ardenna gravis) analisados tenham tido uma média maior de PCBs e Mirex, um formicida também banido, mas que persiste no ambiente.
O trabalho teve apoio da FAPESP por meio de equipamento multiusuário, instalado no IO-USP.
Nas aves, os POPs podem ser transferidos de mãe para filho e causam o afinamento da casca dos ovos, entre outros problemas, enquanto em humanos estão relacionados a alguns tipos de câncer, desregulação do sistema endócrino e problemas reprodutivos e de desenvolvimento.
Os resultados surpreenderam as pesquisadoras por conta das semelhanças entre os níveis encontrados mesmo em espécies com diferentes dietas e tamanhos. A água e os alimentos são os principais vetores da contaminação de aves marinhas.

Leia a reportagem na íntegra no CicloVivo

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