
25/08/2020
Pesquisadores do Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélite (Lapis), da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), fizeram uma nova descoberta sobre a origem do derramamento de mais de cinco mil toneladas de petróleo que atingiu as praias do Nordeste, no ano passado.
Após a análise de imagens registradas via satélite, os especialistas identificaram uma mancha que pode ser de um vazamento de óleo no Golfo da Guiné, na África. Com as correntes oceânicas, o material poderia ter vindo parar na costa brasileira.
— A mancha detectada tem 433,22 km2 e está a aproximadamente 200 km da costa do país de Camarões. Essa é uma região de exploração de petróleo e tráfico intenso de navios. Além disso, ali existe uma confluência de correntes, que são sazonais e têm maior intensidade ente julho e setembro, saindo da Guiné e chegando ao Rio Grande do Norte. Elas poderiam ter trazido o óleo para a costa do Nordeste — explica Humberto Barbosa, metereologista e pesquisador do Lapis.
Segundo Barbosa, em julho de 2019, um mês antes do primeiro registro oficial de petróleo nas praias nordestinas, as imagens do Sentinel-1 já mostravam manchas que poderiam representar vazamentos de óleo na costa africana.
— Avaliamos os dados obtidos na região de julho de 2019 até agora. Estranhamente as imagens apresentaram um padrão anormal na costa ocidental da África, no segundo semestre do ano passado. Esse é um padrão clássico na literatura internacional. Mas o que nos chamou a atenção foi sua repetição em diferentes intensidades — conta o pesquisador.
A origem do Lapis para o vazamento de óleo que causou o desastre ambiental na costa brasileira não é inédita.
Em dezembro de 2019, os cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas Especiais (Inpe) já haviam aventado a possibilidade de que o óleo teria vazado no sul da África, sendo trazido para o Brasil através das correntes marítimas do Oceano Atlântico. Essa hipótese, que contrariava as investigações conduzidas pela Polícia Federal (PF) não foi, porém, sustentada por muito tempo.
— Não podemos afirmar que o petróleo que chegou aqui veio dos vazamentos na África, mas é certo dizer que havia um derramamento constante naquela região, no período em questão, no ano passado. A intensidade das manchas diminuiu um pouco este ano, embora ainda apareçam com regularidade. Talvez por conta da pandemia, que refreou a atividade econômica — lembra o pesquisador.
Prestes a completar um ano, o desastre ambiental ainda não teve responsáveis identificados e punidos pelo governo federal.
Fonte: O Globo
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