
03/09/2020
De domingo (30) até a manhã da terça-feira (1º), a Bahia registrou 14 terremotos, todos na cidade de Amargosa, Recôncavo do Estado, de acordo com a Rede Sismográfica Brasileira (RSBR).
As imagens de imóveis danificados e prateleiras de um mercado sendo chacoalhadas pelo abalo mais forte, que atingiu a magnitude de 4,6 na Escala Richter, logo correram as redes sociais. Muita gente achava se tratar de um fenômeno inédito, mas não era.
"Esses abalos na região ocorrem com frequência e há muito tempo. Temos registros de eventos pelo menos nos últimos 100 anos. Mas hoje temos melhores instrumentos de registro e, com a expansão urbana e o aumento da densidade populacional, as pessoas também sentem. Se onde hoje tem uma casa há alguns anos era uma área verde, ninguém estava ali pra sentir o tremor", observa a geóloga Simone Cruz, professora do Instituto de Geociências da Universidade Federal da Bahia (Igeo/Ufba) e presidente da Sociedade Brasileira de Geologia (SBG).
Junto com mais cinco pesquisadores do Igeo, Simone integra uma comissão que acaba de ser criada pela diretoria do Instituto, justamente com o objetivo de estudar o caso de Amargosa.
"Sabemos que este fenômeno é causado pela dinâmica interna do planeta, com a movimentação de placas gerando liberação de energia e resultando no terremoto. Mas apontar uma causa específica para essa sequência de tremores ainda não é possível. Agora é o momento de pesquisar."
A sequência a que a pesquisadora se refere é chamada de "enxame sísmico". Este é um fenômeno que se configura quando um terremoto não ocorre de forma isolada. Ao contrário, são diversos abalos que surgem de maneira associada. Um tremor inicia o processo e, como que ecoando o primeiro, vão ocorrendo várias réplicas – ou terremotos secundários.
Carlos Uchôa, professor de Geologia da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs/BA), diz que, cientificamente, não é possível saber quando a terra terá liberado toda a energia e voltará a "adormecer".
Na mesma região do Recôncavo Baiano, ele lembra, uma sequência de tremores durou três dias em 2002. Na cidade de João Câmara (RN), entretanto, um enxame de abalos sísmicos levou três anos para se dissipar, de 1987 a 1989.
Leia a matéria na íntegra acessando o G1
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