UERJ UERJ Mapa do Portal Contatos
Menu
Home > Atualidades > Notícias
Dois anos após incêndio, Museu Nacional resgata peças da Idade Antiga

03/09/2020

Chamas varreram parte do Sul da Itália no ano de 79 d.C. com a erupção do Vesúvio, em Nápoles. E também correram pelo Museu Nacional em 2 de setembro de 2018, destruindo a maior parte do acervo de 20 milhões de itens. Da Idade Antiga, algumas peças — jarros, ânforas e afrescos —resistiram às duas tragédias. Da coleção da imperatriz Teresa Cristina, elas foram resgatadas pela equipe do museu, que divulgou os achados.
Em dois anos de escavações, 30% da coleção da imperatriz, com 750 itens, foram recuperados. Cerca de 100 estavam inteiros. Há afrescos das cidades romanas de Herculano e Pompeia, destruídas pelo Vesúvio, além de cabeças votivas milenares, usadas em rituais de devoção; lécitos (vasos para perfumes e óleos na Antiga Grécia); lamparinas e uma enócoa, jarro de vinho grego.
— Por sorte, as peças da coleção da imperatriz estavam em locais protegidos. E muitas são de argila e cerâmica, que resistem bem a incêndios — afirma a paleontóloga Luciana Carvalho, vice-coordenadora do Núcleo de Resgate de Acervos do Museu Nacional.
O inventário dos itens deve durar pelo menos dois anos. O plano é reabrir parcialmente o museu em 2022.
A Polícia Federal (PF) encerrou em julho a investigação sobre o incêndio que destruiu o Museu Nacional da UFRJ em 2 setembro de 2018. Segundo a PF, a perícia técnica-criminal confirmou que o início do fogo ocorreu em um dos aparelhos de ar condicionado instalados no auditório Roquette Pinto, localizado no 1º andar, próximo a entrada principal da instituição, descartando a possibilidade de ação criminosa.
Segundo a investigação, o Corpo de Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro (CBMERJ) iniciou uma fiscalização no prédio do Museu em agosto de 2015, mas o procedimento não foi concluído. O oficial do CBMERJ responsável pela perícia foi punido administrativamente. Após a fiscalização inacabada, a reitoria da UFRJ e a direção do Museu iniciaram tratativas com o BNDES para revitalização do prédio e adequação ao Código de Segurança contra Incêndio e Pânico. O contrato foi assinado em junho de 2018, mas o valor não foi desembolsado antes da ocorrência do incêndio.
Com base nas provas colhidas no inquérito, a PF não caracterizou a conduta dos gestores como omissa, já que a obtenção de verba para a reforma do prédio havia sido concluída apenas meses antes do incêndio. Cerca de 80 bombeiros de 12 quarteis foram mobilizados para combater as chamas, que só foram controladas após sete horas. A tragédia não deixou vítimas.
Em nota, a direção do Museu Nacional afirmou que "acompanha com atenção" a divulgação do relatório da Polícia Federal, reafirmando as conclusões do laudo divulgado em 2019, sobre a provável origem do incêndio, e "deixando claro que não houve omissão ou ação criminosa".
"Há muitos anos, a direção do Museu Nacional/UFRJ buscava recursos para a reforma do Palácio de São Cristóvão, na Quinta da Boa Vista, bem como para a instalação de um sistema completo de segurança contra incêndios. Recursos que seriam alocados pelo BNDES, conforme contrato assinado, em 2018, e com a previsão do início das obras ainda no segundo semestre de 2019. E, para o mesmo fim, seriam alocados R$ 20 milhões advindos de uma emenda parlamentar obtida em 2013, valor que foi contingenciado em 2014", diz parte do comunicado.
A instituição disse, ainda, que realizava treinamentos, vigilância, obras, reformas e captação de recursos pela melhoria nas condições de infraestrutura do prédio. A direção ainda informou que segue trabalhando nos projetos de reconstrução.
As chamas destrutiram os três andares do museu fundado em 1818 por D. João VI. A instituição abrigava um acervo de 20 milhões de itens, incluindo documentos da época do Império; fósseis; coleções de minerais; artefatos greco-romanos; e a maior coleção egípcia da América Latina. Dentre seus itens mais conhecidos, estavam o esqueleto de um dinossauro encontrado em Minas Gerais e o mais antigo fóssil humano descoberto no atual território brasileiro, batizado "Luzia". A visitação média mensal era de cinco a dez mil pessoas.
Segundo levantamento divulgado no segundo semestre de 2019, quase metade das coleções do Museu (46%, o que equivale a 17 coleções) foi perdida de forma parcial ou total, enquanto 35% delas (13 coleções) foram ou ainda estavam sendo resgatadas. Apenas 19% das coleções (sete) pertencentes à instituição bicentenária não foram atingidas pelo incêndio.

Fonte: O Globo

Novidades

Fabricantes de instrumentos musicais tentam manter uso de pau-brasil

28/07/2026

Enquanto o elefante-africano e a tartaruga-de-pente não eram espécies ameaçadas de extinção, os fabr...

Pedras de demolição dão nova vida a banheiro público em Londres

28/07/2026

Pedras recuperadas de um edifício de escritórios demolido deram origem a um novo bloco sanitário pro...

Montanha de roupas descartadas que a Europa envia para o Chile já ultrapassa 60 mil toneladas e é visível do espaço

28/07/2026

Uma montanha com mais de 60 mil toneladas de roupas descartadas cresce a cada ano no deserto do Atac...

Espanha e França veem avanço de incêndios desacelerar, mas previsão de onda de calor preocupa

28/07/2026

O avanço dos incêndios na Espanha e França desacelerou nesta segunda-feira (27). No entanto, a previ...

Nem eles aguentam: camelos africanos sofrem com calor excessivo no deserto

28/07/2026

Os camelos são conhecidos como os "navios do deserto", mas nem mesmo esses animais resistentes estão...