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Os edifícios de bambu que resistem a terremotos

27/11/2025

Em abril de 2016, um terremoto de 7,8 graus de magnitude atingiu o Equador, causando graves danos à cidade litorânea de Manta.
O vibrante distrito comercial de Tarqui, no centro da cidade, foi completamente destruído. As ruas foram marcadas por profundas fissuras que engoliram os escombros das construções de concreto.
Manta, em grande parte, foi reconstruída. Mas uma parte inesperada do legado do terremoto permanece visível até hoje.
Na região da cidade mais afetada durante o terremoto, um mercado de peixe se destaca sob um pavilhão de bambu na orla. Ali ficam também o centro de informações turísticas, um restaurante e um posto dos bombeiros, todos construídos com bambu.
Na verdade, centenas de casas tradicionais de bambu permanecem de pé por toda a cidade e na província de Manabí.
"Todas elas foram construídas antes do terremoto", conta Pablo Jácome Estrella, diretor regional para a América Latina e o Caribe da Organização Internacional de Bambu e Rattan (Inbar, na sigla em inglês). "Elas permaneceram de pé."
O bambu é utilizado como material de construção na América do Sul, África e Ásia há milênios. Ele é encontrado em grande quantidade em muitos países desses continentes.
Mas, apenas recentemente, sua resiliência sísmica começou a ser mais reconhecida.
Cada vez mais pesquisas e testes de impacto em laboratório indicam que suas notáveis propriedades naturais podem fazer do bambu um material ideal para suportar terremotos.
Em todo o mundo, das Filipinas ao Equador, passando pelo Paquistão, existem atualmente projetos de construção que buscam usar esse material natural que engenheiros e arquitetos consideram melhor que o aço.
No litoral do Equador, as pessoas costumavam esperar o quarto-crescente, ou o quarto-minguante, para colher bambu. Depois, elas o levavam para o mar, para limpeza e preservação, explica Jácome Estrella.
"Costumamos dizer que temos 10 mil anos de história de bambu", segundo ele. E outras culturas também usam bambu há muito tempo para construir tetos e outros elementos interiores.
Mesmo com este histórico, o potencial do bambu nem sempre foi tão conhecido em Manabí.
Jácome Estrella conta que, nos anos 2000, um professor de arquitetura de Manta percebeu que o corpo de bombeiros da cidade evitava a construção com bambu, acreditando que o material é inflamável.
O bambu, de fato, é naturalmente inflamável, mas existem tratamentos retardantes de chamas que controlam essa propriedade. Por isso, ele começou a trabalhar como bombeiro voluntário.
"Ele os convenceu a construir um posto de bombeiros de bambu", segundo Jácome Estrella.
Este primeiro posto tinha um teto enorme em abóbada, capaz de acomodar diversos carros de bombeiros e caminhões-pipa. E ele resistiu ao terremoto de 2016.
"Natureza projetada para vergar", afirma o professor Bhavna Sharma, da Universidade do Sul da Califórnia, nos Estados Unidos. Suas pesquisas se concentram no uso do bambu nas construções.
Os caules de bambu, ocos e verticais, são leves, o que reduz a massa da estrutura.
Pesquisas indicam que a ductilidade que permite a eles suportar fortes ventos também faz com que eles absorvam choques sísmicos.
"As construções precisam se mover em um terremoto", explica Sharma. "Nós queremos apenas controlar o quanto elas se movem."
Uma pesquisa realizada após o terremoto, com mais de 1,2 mil construções em Manabí, concluiu que, de forma geral, os edifícios de concreto reforçado sofreram danos maiores que as construções de bambu e madeira, segundo o engenheiro estrutural Sebastian Kaminski, da consultoria britânica especializada em engenharia Arup, que fez parte da missão.
Mas esta tendência foi revertida em algumas cidades. Segundo ele, os dados pós-terremoto também precisam ser considerados com certa cautela.
Neste caso, por exemplo, eles foram coletados várias semanas após o evento, quando muitas construções já haviam sido demolidas.

A matéria na íntegra pode ser lida no g1

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