
16/04/2026
Timmy, Hope ou apenas baleia. Não há consenso nem sobre como chamar a jubarte de 12 toneladas encalhada em um banco de areia no mar Báltico. Ela vai morrer, questão de dias, dizem especialistas e o governo local. A espera, acompanhada ao vivo por sites, canais de TV e ativistas de toda sorte, comove e divide a Alemanha há mais de um mês.
Evento relativamente comum na região, Timmy encalhou ao menos quatro vezes em locais próximos à costa norte da Alemanha desde o começo de março. A primeira aparição se deu na praia de Timmendorf, daí o apelido usado por parte da mídia do país.
Liberada com ajuda de especialistas e bombeiros, voltou a atolar na baía de Wismar, cerca de 50 km a leste. Sozinha, escapou para voltar a encalhar não muito longe dali, nas proximidades da ilha de Poel, quase em frente a Wismar, onde está agora.
A área toda é de águas rasas. Neste momento, Timmy tem 40 cm do corpo para fora da água em um trecho com profundidade de apenas 1,4 m. Para sair sozinha da encrenca, precisaria de no mínimo 2 m. Se é que ela conseguiria fazer qualquer coisa no estado em que está. Ajudá-la ou aceitar a ordem natural das coisas virou uma polêmica nacional.
"Do nosso ponto de vista, não faz sentido causar esse sofrimento ao animal. Por isso, temos que deixá-lo em paz e deixá-lo morrer em paz. Não é agradável, não deixa ninguém feliz, e gostaríamos que o desfecho fosse outro, mas é assim que as coisas são", disse em entrevista coletiva Stephanie Gross, da Universidade de Hannover.
Recrutada pelo governo de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, estado alemão que coordena os esforços em torno de Timmy, Gross explicou que uma nova operação para mover a jubarte seria muito estressante para a baleia. "Já é a quarta vez que ela encalha. Não vamos ganhar nada apenas retirando desta área de águas rasas usando correias, cordas ou o catamarã, que lhe causarão ferimentos graves, apenas para que volte a encalhar logo depois."
O tal catamarã é uma das tantas traquitanas que surgiram nas últimas semanas como solução de resgate. Com capacidade para tirar o bicho do lugar e levá-lo para alto-mar, veio da Dinamarca, mas foi dispensado. A pele de Timmy provavelmente não aguentaria as correias, pois está fragilizada pela água salobra do lago onde está presa, na ilha de Poel.
"Em um eventual transporte, o próprio peso da baleia acabaria por comprimi-la, e não sabemos que tipo de lesões internas ela já tem. Ou seja, uma manobra não seria apenas muito estressante, como também potencialmente perigosa", diz à Folha Daniela von Schaper, do braço alemão do Greenpeace, que participou de uma tentativa de guiar Timmy para longe da costa no mês passado.
À época, a intenção ainda era liberar a jubarte com a ajuda de uma draga submarina, que já havia tido sucesso em escavar um canal no leito do mar para lhe dar espaço de manobra em Timmendorf. "Quando chegamos pela manhã, ela tinha sumido, o que era um bom sinal", conta Von Schaper.
Após uma hora, Timmy foi avistada, e o trabalho de condução começou, sempre tentando manter o animal longe da costa.
Conclua a leitura desta reportagem clicando na Folha de S. Paulo
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