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Incêndios na Amazônia elevam poluição do ar em São Paulo

25/02/2025

O fogo consumiu 18 milhões de hectares da área da Amazônia em 2024, um aumento de 67% em relação a 2023. A situação fez com que as cidades do interior da floresta tivessem o ar mais poluído de todo o Brasil. Entretanto, a calamidade não se restringiu ao bioma. Os impactos sem precedentes dos incêndios florestais afetaram diretamente a qualidade do ar em São Paulo, segundo um novo estudo da Unifesp.
Liderado pela professora Simone Georges El Khouri Miraglia, do Instituto de Ciências Ambientais, Químicas e Farmacêuticas (ICAQF/Unifesp), o artigo aponta que o período crítico, entre agosto e setembro, registrou um aumento expressivo nas concentrações de poluentes atmosféricos, com efeitos alarmantes sobre a saúde pública. A pesquisa acende o alerta para o fato de que a extensão dos prejuízos causados pelas queimadas pode ser maior do que se imagina.
Segundo os dados apresentados, o nível de material particulado fino (PM2,5) cresceu 144,26%, enquanto as concentrações de dióxido de nitrogênio (NO₂) aumentaram 48,07%. Essas condições atmosféricas desfavoráveis resultaram em um aumento de 3,5% no risco de doenças cardiorrespiratórias, além de internações hospitalares e consultas médicas relacionadas a problemas respiratórios.
O estudo destaca que os incêndios de 2024 foram os mais intensos registrados na última década, agravados pelas condições meteorológicas adversas e ventos predominantes do noroeste, que transportaram grandes plumas de fumaça para regiões urbanas. Em São Paulo, a fumaça fez com que, por três dias consecutivos, a cidade registrasse a pior qualidade do ar do mundo, segundo dados do IQAir.
“Esses episódios de poluição reforçam a necessidade urgente de políticas públicas para mitigar os impactos ambientais e proteger a saúde da população”, afirma Miraglia. Segundo ela, a ausência de sistemas de alerta precoce e a defasagem nas regulamentações dificultam a adoção de medidas preventivas, como a restrição de atividades ao ar livre durante os períodos de alta concentração de poluentes.
O episódio de 2024 expôs ainda a vulnerabilidade das políticas públicas atuais, uma vez que as concentrações de poluentes ultrapassaram, em muito, os limites recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Historicamente, a cidade já enfrentava níveis elevados de poluição devido à extensa frota de veículos, composta por cerca de 9,5 milhões de carros, ônibus e caminhões. O cenário se agravou com a chegada das partículas finas oriundas das queimadas, colocando em risco principalmente crianças, idosos e pessoas com doenças preexistentes.
O estudo da Unifesp propõe a criação de um sistema de alerta precoce, semelhante ao modelo adotado pela Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA), para monitorar e prever episódios críticos de poluição. Esse tipo de sistema permitiria intervenções mais rápidas por parte das autoridades de saúde, reduzindo a morbidade e a mortalidade associadas à poluição.
“Integrar estratégias de manejo de incêndios florestais com políticas de qualidade do ar urbano é essencial para evitar novas crises como a de 2024”, destaca a docente. Ela reforça que a experiência vivida por São Paulo pode servir de exemplo para outras cidades, evidenciando a importância de ações preventivas e uma resposta coordenada a desastres ambientais.
O estudo conclui que, sem políticas robustas de prevenção e mitigação, São Paulo continuará vulnerável a episódios semelhantes no futuro. As autoridades devem considerar medidas preventivas, como a melhoria das práticas de manejo de incêndios, a implementação de sistemas de monitoramento de qualidade do ar mais eficientes e a revisão das regulamentações sobre poluição atmosférica.
O episódio de 2024 deixa uma lição importante: a proteção da saúde pública depende diretamente da capacidade de resposta a eventos ambientais extremos, e a ciência tem um papel fundamental na formulação de políticas mais eficazes e alinhadas às necessidades da população.

Fonte: CicloVivo

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