
25/02/2025
Um dos principais cartões-postais de Florianópolis, a lagoa da Conceição está com suas águas contaminadas por uma variedade de medicamentos e substâncias ilícitas, incluindo cafeína, antibióticos, analgésicos e cocaína.
A constatação é resultado de uma pesquisa conduzida pela UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), que identificou 35 contaminantes emergentes em amostras coletadas em diferentes pontos da lagoa. Os resultados foram divulgados na quinta-feira (13) e, segundo os pesquisadores, apontam uma preocupação ambiental persistente na região.
"Encontramos o metabólito da cocaína, a benzoilecgonina, em 63% das amostras, assim como a substância pura em uma quantidade menor", explica a professora Silvani Verruck, do departamento de ciência e tecnologia de alimentos da UFSC, que coordenou a pesquisa.
Segundo ela, a concentração da droga na lagoa da Conceição está entre as mais altas já reportadas no mundo. Os dados da pesquisa estão publicados na revista Science of the Total Environment.
O objetivo do estudo foi identificar os chamados contaminantes emergentes, que não costumam ser detectados nos testes tradicionais de qualidade da água, como aqueles que avaliam a balneabilidade.
A pesquisa revelou que pelo menos quatro tipos de medicamentos presentes nas amostras estão associados a riscos ambientais, podendo causar impactos agudos ou crônicos na fauna aquática, incluindo peixes, algas e crustáceos.
"Essa contaminação, em um ciclo contínuo, pode também afetar a saúde da população por meio do consumo de peixes contaminados", alerta Silvani.
Os resultados, segundo a docente, formam um retrato daquilo que as pessoas que vivem na região estão consumindo. Por se tratar de uma laguna, com baixo fluxo de água do mar, a causa mais provável destes contaminantes na água é o consumo da população.
"Algumas destas substâncias não desaparecem com o tratamento convencional [de esgoto]. Elas podem ter chegado ali de diferentes maneiras, mas o mais provável é que seja mesmo pelo uso pelos moradores da região", explica.
Como esses poluentes não são removidos completamente pelos sistemas de tratamento convencionais, sua presença levanta preocupações sobre os impactos de longo prazo na biodiversidade e na saúde pública.
A Prefeitura de Florianópolis, por meio da Secretaria do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, afirmou que irá analisar os dados apresentados no estudo da UFSC. "A partir dessa avaliação, serão adotadas as providências cabíveis dentro da competência da secretaria, em diálogo com os órgãos responsáveis pelo saneamento e pela preservação ambiental", disse, em nota.
Na Assembleia Legislativa, na tarde de quarta-feira (19), os deputados aprovaram a realização de uma audiência pública para tratar do assunto. O encontro será realizado na segunda quinzena de março.
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