
25/02/2025
Dez anos depois de um dos maiores desastres ambientais do mundo, pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) comprovaram, em um estudo recente, que houve uma redução de até 50% no número de tipos de árvores adultas e de 60% para mudas nas áreas de mata ciliar do Rio Doce, atingidas pelo rejeito de minério.
"Não apenas diminui o número de espécies mas também diminui a capacidade dessa área em resistir às mudanças climáticas e a espécies invasoras. Esse é um problema enorme em todo o funcionamento do bioma, porque muda a estrutura da vegetação. E além disso, muda o comportamento dos animais que dependem dessas plantas para sobrevivência", explicou o pesquisador responsável pelo estudo, Geraldo Fernandes.
A pesquisa, publicada na revista Anthropocene, da Universidade de Quebec, no Canadá, mostra que o impacto aconteceu na composição e na diversidade de espécies vegetais. Os pesquisadores analisaram 30 pontos da mata em 12 municípios.
O estudo aponta a necessidade de investimento em políticas públicas que sejam de fato eficientes na recuperação ambiental. Além disso, há os aspectos sócio-econômicos, como garantir a sustentabilidade das comunidades afetadas pelo rejeito de minério.
Miguelito Teixeira é produtor rural em Conselheiro Pena, no Leste do estado. Cresceu às margens do Rio Doce e o desastre de Mariana mudou muito a rotina de vida.
A lama fez com que ele perdesse toda a pastagem que tinha na época. Precisou vender a preços mais baixos os animais porque faltavam água e comida. E toda vez que tem enchentes no Rio Doce, ele sofre novamente alguns impactos.
"Foi um momento bem difícil, eu tinha filho na faculdade e que infelizmente teve que parar os estudos. Minha vida ficou toda comprometida. E o que nós observamos agora é que, a cada enchente que vem, o rejeito de minério volta e a gente perde toda a recuperação de solo que fizemos. Na enchente de 2022 para 2023 matou todo o capim que tinha nascido", lamentou o produtor rural Miguelito Teixeira de Sousa.
A reclamação dos ribeirinhos também foi comprovada na pesquisa. Segundo os estudos, durante o período chuvoso e de cheia do rio, os impactos do rejeito de minério ocorrem novamente. Isso é devido ao resíduo de minério que continua no leito do rio.
"O leito do rio agora está mais raso, está menos profundo, então quando a água transborda, espalha, ainda mais esse rejeito para vários lugares, amplificando o impacto. Toda vez que isso acontece, há um rebobinamento do problema e isso pode levar milênios pra não acontecer mais", explicou o pesquisador Geraldo Fernandes.
Relembre a tragédia de Mariana clicando no g1
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