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As destemidas caçadoras de peixes-leão do Caribe

17/03/2025

A ilha de Curaçao enfrenta um desafio ecológico: o peixe-leão invasor.
Com suas listras vermelhas e brancas parecidas com as da zebra, seus tentáculos carnudos e longas barbatanas com aparência de leque, o peixe-leão é peçonhento.
Ele é nativo do Pacífico Sul e do Oceano Índico, mas, no final dos anos 1980, a espécie foi introduzida nas águas quentes tropicais do Oceano Atlântico —mais precisamente, no litoral da Flórida, nos Estados Unidos.
A causa exata é desconhecida, mas se imagina que eles tenham sido libertados por aquários marinhos.
No início dos anos 2000, o peixe-leão atingiu o litoral do Caribe e o recife de coral de Curaçao, que depende significativamente do turismo de mergulho para gerar empregos e desenvolver a economia local.
No Brasil, o peixe-leão foi avistado pela primeira vez em 2020, no arquipélago de Fernando de Noronha. De lá, ele se espalhou pelo litoral do nordeste, podendo vir a atingir toda a costa brasileira.
Na verdade, o peixe-leão não é bem-vindo em nenhum lugar. Isso porque ele se reproduz em velocidade alarmante.
As fêmeas liberam cerca de 2 milhões de ovos por ano. E, durante o crescimento, o peixe-leão se alimenta de peixes nativos menores e da vida marinha que protege os recifes de coral. Este comportamento cria um desequilíbrio que prejudica o ecossistema dos recifes.
A presença do peixe-leão interfere com o turismo de mergulho e com a pesca comercial. Pesquisas demonstram que a presença do peixe-leão, mesmo que por curto período, pode reduzir a população de peixes nativos do recife em 79%.
Mas o que era um grande problema catalisou um movimento pela adaptação inovadora e responsabilidade ambiental.
A alimentação, arte e educação fizeram com que duas mulheres locais, Helmi Smeulders e Lisette Keus, enfrentassem o relacionamento único, mas complicado, entre Curaçao e o peixe-leão.
Smeulders abandonou sua carreira de advogada na Holanda em 1998 e se mudou para Curaçao, onde acabou se tornando chef de cozinha, mergulhadora e conservacionista. Mas o que ela sabia sobre o combate ao invasivo peixe-leão, a pesca sustentável e a importância de proteger o recife para as gerações futuras?
Na verdade, não muita coisa, até conhecer Keus. A mergulhadora local ensinou a Smeulders —e a outras mulheres da ilha— como encontrar e capturar o peixe-leão para salvar o recife de coral.
"Mostrei [aos chefs] como limpar os peixes, ofereci receitas e dei lotes [de peixe] de graça para os restaurantes praticarem", conta Keus.
Em 2023, o Ibama informou em nota à BBC News Brasil que, embora não haja proibição legal no país, a autarquia não recomenda o consumo do peixe-leão, pois seu manejo "requer técnicas específicas".
Mas, depois de encontrar o peixe-leão durante seus mergulhos por anos a fio, Keus decidiu se dedicar ao controle da população da espécie.
Ela se especializou na sua captura e ficou conhecida como uma espécie de "encantadora de peixes-leão". Keus parecia saber exatamente onde encontrar aquela criatura tão arredia.
Em 2012, ela começou a tentar vender o peixe para os restaurantes.
O começo foi difícil. Ninguém queria comprar (nem comer) os peixes porque se acreditava que eles fossem venenosos. Na verdade, eles são peçonhentos —suas barbatanas nas costas causam picadas ao toque e podem gerar dores e inchaço.
"Todos tinham medo [do peixe] e ninguém sabia que ele é seguro para tocar ou comer", ela conta. "Enchi meu refrigerador, mas acabei devolvendo quilos de peixe para o oceano porque não conseguia vender."

Esta reportagem na íntegra pode ser lida acessando a Folha de S. Paulo

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