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Calor extremo impulsiona demanda global por energia e faz crescer uso de combustíveis fósseis

27/03/2025

No ano passado, registrou-se o ano mais quente da história, e as temperaturas médias globais ultrapassaram pela primeira vez a marca de 1,5°C acima dos níveis pré-industriais. Simultaneamente, a taxa de crescimento da demanda mundial de energia aumentou acentuadamente, quase dobrando em relação à média dos dez anos anteriores.
Acontece que o calor recorde e a rápida elevação da demanda energética estavam intimamente ligados, segundo um novo relatório da AIE (Agência Internacional de Energia).
Isso porque o clima mais quente levou ao aumento do uso de tecnologias de refrigeração, como o ar-condicionado. Aparelhos que consomem muita eletricidade sobrecarregaram a rede, e muitas concessionárias atenderam à demanda adicional queimando carvão e gás natural.
Tudo isso criou um ciclo vicioso preocupante: um mundo mais quente exige mais energia para resfriar casas e escritórios, e o que está prontamente disponível é a energia de combustíveis fósseis, o que leva a mais emissões que aquecem o planeta. Essa dinâmica é exatamente o que muitos países esperam interromper por meio do desenvolvimento de energias renováveis e da construção de usinas nucleares.
Em outras palavras, a AIE estimou que, se o clima extremo de 2024 não tivesse ocorrido —ou seja, se o clima fosse exatamente o mesmo em 2024 como ocorreu em 2023—, o aumento global nas emissões de carbono para o ano teria sido reduzido pela metade.
Nem tudo são más notícias: cada vez mais, a economia global está crescendo mais rápido do que as emissões de carbono. "Se quisermos encontrar um lado positivo, vemos que há um desacoplamento contínuo do crescimento econômico em relação ao crescimento das emissões", disse Fatih Birol, diretor executivo da agência.
Abaixo estão cinco conclusões das tendências energéticas do ano passado.
Um fator importante que elevou a demanda global de eletricidade no ano passado foi o calor extremo, particularmente as ondas de calor nos EUA, na China e na Índia, segundo o relatório. Na primavera passada, as temperaturas em Nova Déli chegaram a 52°C, e as temperaturas no norte da China bateram recordes.
Toda essa carga adicional teve consequências, constatou a AIE. Esses efeitos de temperatura impulsionaram cerca de um quinto do aumento geral na demanda por eletricidade e gás natural.
Outros setores intensivos em eletricidade cresceram em 2024. Por exemplo, a capacidade de data centers cresceu cerca de 20%, principalmente nos EUA e na China.
As energias renováveis, como solar e eólica, não são tão eficazes em lidar com grandes aumentos repentinos na demanda de eletricidade durante ondas de calor. E ainda não estão sendo implantadas rapidamente o suficiente para atender às metas globais de triplicar a capacidade renovável até 2030.
Para atender à demanda urgente por eletricidade e ajudar as pessoas a evitar o estresse térmico, alguns países queimaram carvão para ajudar a alimentar condicionadores de ar e outras tecnologias de refrigeração.

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