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“Os combustíveis fósseis estão nos matando”: o impacto devastador para a vida

08/04/2025

Um estudo de grande relevância publicado no periódico Oxford Open Climate Change lança um alerta contundente sobre os impactos dos combustíveis fósseis para a vida na Terra. A publicação, elaborada por pesquisadores do Centro de Diversidade Biológica e de diversas universidades, reúne evidências que mostram como as indústrias do petróleo, do gás e do carvão estão no centro de múltiplas crises globais — da emergência climática à saúde pública, passando pela perda da biodiversidade.
De acordo com a pesquisa, os combustíveis fósseis são responsáveis por cerca de 90% de todas as emissões de carbono geradas pelo ser humano, alimentando o aquecimento global, a acidificação dos oceanos e eventos climáticos extremos sem precedentes. Para os autores, a ciência é clara: é necessário agir com urgência.
“A ciência não pode ser mais clara ao dizer que os combustíveis fósseis estão nos matando”, afirmou Shaye Wolf, diretora de ciências climáticas do Center for Biological Diversity e principal autora do relatório. “O petróleo, o gás e o carvão continuarão a nos condenar a mais mortes, extinções de vida selvagem e desastres climáticos extremos, a menos que façamos deles uma coisa do passado. A energia limpa e renovável está aqui, é acessível e salvará milhões de vidas e trilhões de dólares quando a tornarmos a peça central da nossa economia.”
O foco principal da revisão é os Estados Unidos, maior produtor mundial de petróleo e gás, principal causador de eventos climáticos dramáticos. Além disso, entre os impactos mais graves apontados no estudo, está a relação entre a poluição por combustíveis fósseis e problemas de saúde ao longo de toda a vida humana.
“Há riscos elevados para condições que vão de nascimentos prematuros à leucemia infantil e depressão grave”, explicou David JX González, professor assistente de ciências da saúde ambiental na Escola de Saúde Pública da Universidade da Califórnia, Berkeley. “Temos que trabalhar rápido para acabar com as operações de combustíveis fósseis perto de nossas casas, escolas e hospitais e trocar essa infraestrutura por energia saudável e limpa.”
A revisão também expõe os efeitos desproporcionais da indústria sobre comunidades vulneráveis, como as populações negras, indígenas, pardas e de baixa renda. “São décadas de políticas discriminatórias, como a redlining, resultando em consequências devastadoras”, destacou Robin Saha, professor associado de estudos ambientais na Universidade de Montana. “Por muito tempo, essas comunidades foram tratadas como zonas de sacrifício por indústrias gananciosas e insensíveis. As comunidades mais poluídas devem ser priorizadas para investimentos em energia limpa e remoção e limpeza de infraestrutura suja de combustíveis fósseis.”, ele completa.
A perda de biodiversidade também preocupa os cientistas. O estudo aponta que, se o uso de combustíveis fósseis continuar sem controle, até um terço das espécies de plantas e animais pode desaparecer nos próximos 50 anos. Para evitar esse cenário, os autores defendem a proteção de ecossistemas que armazenam carbono e a incorporação da infraestrutura de energia renovável ao ambiente urbano.
Além disso, a revisão denuncia a expansão da produção de plásticos pela indústria de combustíveis fósseis, que contribui para a poluição do ar, da água, do solo e dos alimentos. Os especialistas recomendam metas ambiciosas para reduzir a produção de plásticos primários e os produtos químicos tóxicos associados, incentivando alternativas sustentáveis, bem como práticas agrícolas menos dependentes de fertilizantes e pesticidas petroquímicos.
Outro ponto central do estudo é a crítica à desinformação promovida pela indústria de combustíveis fósseis. Segundo os autores, essa indústria investiu bilhões de dólares em campanhas para ocultar os danos de seus produtos e obstruir políticas de transição energética.
“Essa indústria passou décadas nos enganando sobre os danos de seus produtos e trabalhando para evitar ações climáticas significativas”, afirmou Naomi Oreskes, professora de história da ciência da Universidade Harvard. “Perversamente, nossos governos continuam a dar centenas de bilhões de dólares em subsídios para essa indústria prejudicial. Já passou da hora de parar.”

Fonte: CicloVivo

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