
15/04/2025
Novos estudos revelam que cerca de 10 bilhões de espécies habitam o interior e a superfície do solo, o que representa aproximadamente 59% do total de espécies no planeta. Mas, a humanidade identificou apenas cerca de 1% das espécies desse imenso ecossistema e estamos perdendo espécies que nem sequer conhecemos. Quem faz esse alerta é a bióloga Cintia Carla Niva, doutora pela Universidade de Kobe, no Japão, e pesquisadora da Embrapa Suínos e Aves.
O crescimento da população mundial, que requer a expansão da produção de alimentos, e as mudanças climáticas contribuem para a degradação crescente do solo, que não é um recurso renovável. Nesse cenário, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO/ONU) lançou em 2022, na 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP15), o Observatório Global da Biodiversidade do Solo (Glosob), que está em processo de implantação.
Como forma de prover base teórica para a estruturação do Glosob, a FAO estimulou o levantamento sobre o conhecimento da biodiversidade do solo no mundo, que foi realizado em projeto liderado pelo pesquisador George Brown, da Embrapa Florestas.
O Glosob tem como objetivo desenvolver indicadores padronizados para melhorar a capacidade de monitoramento do solo pelos países. As prioridades são criar métodos padronizados, integrar a biodiversidade nas pesquisas sobre o solo, capacitar mão de obra, aumentar a conscientização de organizações que trabalham com o solo e melhorar a interação entre as políticas públicas.
Cintia é a primeira autora de um dos artigos da série que apresenta os resultados, intitulado “Worldwide knowledge distribution on soil invertebrate macrofauna and bioturbating vertebrates: an analysis using data science tools”.
“Fomos procurados pela FAO para fazer um levantamento sobre o que se conhece da biodiversidade do solo. Os artigos estão para sair. A FAO quer incentivar o monitoramento da biodiversidade do solo no mundo inteiro, porque está preocupada com a produção sustentável de alimentos”, destaca a bióloga.
A bióloga afirma que o conhecimento sobre as espécies e interações que ocorrem no solo ainda é bastante limitado, mas há um interesse crescente da comunidade científica sobre o tema. Com o aprofundamento dos estudos, os pesquisadores compreenderam a importância da biota para a fertilidade do solo, que antes era associada principalmente a aspectos químicos.
O ecossistema do solo é muito complexo, ressalta a Bióloga, e composto por duas partes: o interior do solo propriamente dito e a sua superfície. As duas partes interagem e uma depende da outra. O solo é onde a vida começa e termina.
A biota do solo é composta pelos estimados dez bilhões de espécies de animais vertebrados e invertebrados, fungos e bactérias. As raízes das plantas também são consideradas integrantes da biota. Parte desses seres vive apenas dentro do solo, outra parte só na superfície e há espécies que habitam o interior e superfície.
Nesse último grupo, há seres que transitam entre o interior e o exterior, como parte das espécies de minhocas. E há outros que passam o ciclo inicial de vida dentro do solo como larvas e ganham o exterior quando adultos, como as cigarras e algumas espécies de besouros.
Conclua esta leitura clicando no CicloVivo
Bolsas ecológicas ajudam animais abandonados na Zona Oeste
12/05/2026
Essenciais e ameaçados: fruto de oito anos de pesquisa, livro sobre manguezais cariocas revela curiosidades e faz alerta
12/05/2026
Como mães da natureza ajudam espécies a sobreviver
12/05/2026
Projeto de “vagas verdes” para São Paulo é aprovado
12/05/2026
Crea-SP traz soluções naturais para cidades mais resilientes
12/05/2026
Justiça condena Suzano a pagar R$ 16 milhões por danos ambientais no Vale do Paraíba
12/05/2026
