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Como falar com crianças sobre extinção da natureza sem ser enciclopédico?

06/05/2025

Aqui neste espaço, já cansamos de escrever que o livro e a literatura não têm função de ensinar nada —seja para adultos, seja para crianças. Não é papel da literatura infantojuvenil transmitir lições de moral, ensinar a escovar os dentes, ser instrumento pedagógico ou criar cidadãos obedientes. Nada disso. O livro não justifica a sua existência com fins práticos.
Na verdade, é o contrário. A arte bagunça, mexe, brinca. A literatura é o campo da desobediência e do uso da criatividade para fazer o inverso do que todo mundo está esperando. É transgressão. E é aí que nascem muitos ruídos com a sala de aula.
"Ou a educação vai ser pensada com o caráter transgressor que ela deveria ter, potencializando a perspectiva do encontro dela com a cultura, ou a cultura vai ser acorrentada pelo viés normatizador, conservador e adestrador da educação", escrevem Luiz Rufino e Luiz Antônio Simas em "Fogo no Mato", livro de ensaios lançado em 2018.
Mas como manter esse espírito rebelde e desobediente dentro da escola? Como produzir literatura transgressora que dialogue com o currículo escolar, mas sem escorregar num viés normatizador, careta e enciclopédico?
Três livros recentes para crianças e jovens conseguem fazer isso com temas urgentes e interligados: a destruição da natureza, a extinção das outras espécies e a crise climática, mas sem cair no tatibitate professoral ao abordar os impactos negativos do ser humano sobre o planeta. Conheça abaixo as obras.
📚
O Invasor
"Tchssssc." É esse barulho estranho que faz tudo mudar em "O Invasor", obra de Daniel Cabral e Fereshteh Najafi que venceu a primeira edição do prêmio Filex de ilustração e livro ilustrado. Quando o tigre ouve esse som esquisito, ele logo entende que um desconhecido está chegando à floresta. E, é claro, acha melhor fugir desse tal invasor. Outros bichos também acompanham o felino. O esquilo, a zebra, o avestruz, a arara, o macaco, todos rapidamente batem em retirada. Não é spoiler dizer que o invasor é o ser humano —na verdade, o grande pulo do gato é descobrir quem é essa pessoa. Com uma narrativa que quebra a quarta parede do livro e coloca o leitor no meio da história, "O Invasor" toca em temas como o avanço do homem sobre a natureza e as faíscas que surgem desse encontro. No fim da história, porém, há uma mensagem de otimismo e esperança, tanto que os personagens chegam a preparar uma festa para o ser humano que vem aí. Só que, na vida real, esse contato é muito menos festivo. As populações de animais selvagens diminuíram 73% em 50 anos, segundo um relatório do ano passado publicado pela ONG WWF. A causa? Justamente o homem, que produz as mudanças climáticas e a diminuição das áreas de natureza.

Termine de ler esta reportagem acessando a Folha de S. Paulo

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