
08/05/2025
"Se tivessem me dito, quando eu era criança, que minha vida seria ligada a de um pinguim, eu não teria me surpreendido tanto. Afinal, minha mãe criou três jacarés na nossa casa em Esher, na Inglaterra, até que eles ficaram grandes demais e perigosos para viver em uma cidade tão pequena."
Essas palavras foram escritas pelo inglês Tom Michell, décadas depois de fazer de um pinguim um dos seus melhores amigos.
A mãe de Tom não planejou ter jacarés em casa. Ela viveu até os 16 anos em Cingapura e, antes de se mudar para Inglaterra, sua melhor amiga, em uma despedida cheia de lágrimas, lhe deu três ovos como lembrança. Durante a viagem de navio, como era de se esperar, os filhotes nasceram.
O que aconteceu com Tom também não foi planejado.
Ele sempre teve um espírito aventureiro. Seus pais eram imigrantes, e ele tinha parentes pelo mundo todo. Desde pequeno, ouviu histórias sobre lugares distantes.
"Sempre gostei de viajar e conhecer novos lugares. Mas o lugar onde eu realmente queria ir era a América do Sul, porque pra mim era uma verdadeira incógnita", conta.
"Aos 12 anos consegui um dicionário de espanhol e comecei a aprender algumas palavras, já pensando que, quando surgisse uma oportunidade, eu iria explorar a América do Sul", acrescentou.
Essa oportunidade chegou no início da década de 1970, quando ele tinha pouco mais de 20 anos.
"Eu estava lendo o jornal Times e vi um anúncio dizendo que o internato de St. George, na Argentina, precisava de um professor. Pensei: ´perfeito!´ e escrevi a eles dizendo que eu já estava a caminho e que não precisavam mais procurar alguém para a vaga", lembra.
"Quando cheguei, o país estava passando por um momento terrível. A inflação era de 100% ao mês. O diretor da escola me disse: ´Não faço ideia de quanto vai valer o seu salário, mas enquanto você estiver aqui, você vai ter comida e lugar para morar, e se ficar por um ano, eu pago as passagens de ida e volta´."
A Argentina estava mergulhada no caos, com a presidente Isabel Perón lutando para se manter no poder e a economia em colapso. No dia 24 de março de 1976, os militares deram um golpe de Estado e tomaram o controle do país.
Apesar da violência, Tom não desanimou. Sentia que estava presenciando algo importante. Além disso, queria conhecer o resto da América do Sul.
Em uma de suas viagens, Tom decidiu conhecer o Paraguai. Na volta, parou no balneário de Punta del Este, no Uruguai, para visitar um amigo. Lá, se deparou com uma cena assustadora ao sair para caminhar na praia: pinguins mortos cobertos de piche.
"Quanto mais eu caminhava, mais pinguins mortos eu via. Era um cenário devastador", relata.
"E enquanto eu me perguntava como a humanidade podia fazer aquilo, vi um pinguim se mexer. A cabeça tremia e as asas batiam lentamente. Entre milhares de pinguins mortos, aquele estava vivo."
"Cheguei um pouco mais perto e vi o pinguim se levantar. Dei uns passos para trás, porque não sabia o que fazer: ele batia na altura do meu joelho e aquilo me deu medo."
Tom pensou que se conseguisse capturá-lo, talvez pudesse ajudá-lo. Então, pegou uma rede de pesca e a soltou sobre a cabeça do pinguim.
Decidiu levá-lo até o apartamento onde estava, limpá-lo, e depois soltá-lo em uma praia sem petróleo e piche.
Com muito esforço, Tom conseguiu limpar o pinguim usando manteiga, azeite, shampoo e detergente.
Mas, para sua surpresa, ele não conseguiu concluir a segunda parte do plano.
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