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Bioconcreto sustentável feito com urina humana

20/05/2025

Cientistas da Universidade de Stuttgart desenvolveram um novo material de construção sustentável, o bioconcreto, produzido por meio de processos microbianos que utilizam a urina humana. Este material surge como uma alternativa ecológica ao cimento tradicional, pois consome menos energia, emite menos CO₂ e ainda permite que a urina seja transformada em fertilizante.
Uma planta piloto está planejada para ser instalada no Aeroporto de Stuttgart, onde a urina será coletada e processada para a fabricação de bioconcreto e fertilizantes agrícolas. O bioconcreto é criado a partir da biomineralização, um processo natural no qual microrganismos induzem a formação de minerais inorgânicos.
Nesse caso, a areia é misturada com um pó bacteriano, colocada em um molde e regada durante três dias com urina enriquecida com cálcio. As bactérias decompõem a ureia presente na urina, provocando a formação de cristais de carbonato de cálcio que endurecem a mistura. O resultado é um material quimicamente semelhante ao calcário natural, com formas e tamanhos personalizáveis de até 15 cm de profundidade.
Em testes laboratoriais, foram alcançadas resistências à compressão superiores a 50 MPa com ureia técnica, 20 MPa com urina sintética e 5 MPa com urina humana real, esta última devido à perda de atividade bacteriana, um desafio técnico que os pesquisadores ainda buscam solucionar. Segundo especialistas, resistências entre 30 e 40 MPa seriam suficientes para a construção de edifícios de dois a três andares.
Além disso, estão sendo realizados testes de resistência a ciclos de congelamento e descongelamento para avaliar a viabilidade do material em ambientes externos. Outra vantagem importante do processo é que a urina já contém a água necessária para a reação, o que elimina a necessidade de adicionar água extra. Isso, aliado ao baixo consumo energético, confere ao bioconcreto uma pegada ecológica muito inferior à do cimento convencional. O processo também permite recuperar nutrientes da urina para a produção de fertilizantes agrícolas, gerando dois produtos úteis a partir de um único resíduo.
O projeto, chamado SimBioZe, é voltado para o fechamento dos ciclos de recursos, alinhando-se aos princípios da economia circular. A ideia é instalar sistemas de separação de águas residuais em locais com grande circulação de pessoas, como aeroportos, para coletar urina limpa como matéria-prima, reduzindo a carga sobre as estações de tratamento, produzindo materiais de construção e contribuindo com a agricultura sustentável.
Na segunda fase do projeto, que recebeu financiamento por mais três anos do Ministério da Ciência, Pesquisa e Arte de Baden-Württemberg, os esforços estarão concentrados em três frentes: melhorar o processo bacteriano por meio da análise de substâncias presentes na urina que possam afetar negativamente as bactérias; otimizar a produção simultânea de bioconcreto e fertilizante em colaboração com a Universidade de Hohenheim; e desenvolver a planta piloto no Aeroporto de Stuttgart para testar o sistema em escala real.
Este avanço não representa apenas uma inovação científica pontual, mas uma transformação potencialmente radical na forma de construir. Entre suas principais vantagens estão a redução significativa das emissões de CO₂ em comparação ao cimento tradicional, o reaproveitamento de resíduos humanos, evitando contaminações e custos de tratamento, a possibilidade de produção descentralizada adaptável a contextos urbanos e rurais, e a criação de infraestruturas sustentáveis em regiões com escassez de água ou recursos.
Além disso, a tecnologia promove uma economia circular real, em que nada é desperdiçado. Se os pesquisadores conseguirem superar o desafio técnico de estabilizar a atividade bacteriana ao utilizar urina humana real, o bioconcreto poderá se tornar uma peça essencial na construção verde do futuro.

Fonte: CicloVivo

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